Notícias

Newsletter

Acompanhe as novidades e fique sempre informado sobre nossos eventos

Campanha Veteranas de Guerra condecora árvores mais antigas de São Paulo
21/09/2012


SOS Mata Atlântica condecora árvores de São Paulo pela resistência ao urbanismo descontrolado. Em nova campanha “Veteranas de Guerra”, Fundação mobilizará a população para mapear as árvores da cidade, contar suas histórias e denunciar maus tratos

 A Fundação SOS Mata Atlântica lança hoje (21/9), Dia da Árvore, a campanha “Veteranas de Guerra”, que selecionou 20 das árvores mais antigas da capital paulista, espécies nativas da Mata Atlântica, para receberem uma medalha de honra e uma placa de bronze como forma de homenagem e agradecimento pelos serviços prestados a favor da população.

Para a diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, a campanha visa despertar nos cidadãos a intenção de cuidar do verde que resta em São Paulo. Ela explica também que as pessoas costumam ver a floresta como algo distante e não como sua própria morada. “Em São Paulo, muitas vezes, a população não se dá conta que o bioma tem uma importância enorme para sua qualidade de vida. Conhecer e preservar essas árvores da cidade é fundamental para cuidar do meio ambiente em que vivemos”, destaca.

A campanha, criada pela agência F/Nazca Saatchi & Saatchi, conta com diversas ações e peças de comunicação, com destaque para o site www.veteranasdeguerra.org, no qual o público poderá conhecer e acompanhar as árvores selecionadas, além de cadastrar e condecorar novas árvores. A ideia é que as pessoas adotem árvores da cidade, tageando seu nome na espécie escolhida e, a partir de então, monitorem e descrevam a situação em que se encontram. Para isto, o site contará com ferramentas que permitirão o mapeamento dessas árvores, inclusão de fotos, textos e compartilhamento pelo Facebook e Twitter com a hashtag #adoteumaveterana. Os padrinhos poderão também entregar medalhas virtuais pela força, perseverança, coragem e resistência de suas árvores, além de disparar e-mails para órgãos públicos e secretarias, comunicando às autoridades competentes toda vez que alguma irregularidade afetar a sua Veterana de Guerra.

Segundo Theo Rocha, diretor de criação da agência, “é importante lembrar que a Mata Atlântica não é apenas uma paisagem da casa de praia”. “Ela está bem debaixo de nossos pés. E, ao resgatar essa memória, a campanha quer aproximar a população do problema, engajando todos na luta pela preservação da mata”.

  • Confira o boletim de rádio sobre o assunto:


Sobreviventes do asfalto

As 20 primeiras espécies nativas condecoradas foram selecionadas pelo botânico e ambientalista Ricardo Cardim, fundador da rede “Árvores de São Paulo”. Para ele, essas árvores são testemunhos da biodiversidade original de São Paulo e da rápida destruição que ela sofreu. “As Veteranas de Guerra são como monumentos vivos, um verdadeiro museu a céu aberto”, observa.

Uma das árvores escolhidas é a “Figueira das Lágrimas”, considerada a árvore mais antiga de São Paulo documentada. A árvore ganhou este nome por ser um ponto de encontro para viajantes, que seguiam em direção ao litoral, se despedirem de suas famílias e amigos. Situada na estrada que ligava o Porto de Santos a São Paulo do século 19, demarcava o final da cidade e era a referência para a despedida das pessoas que seguiam partiam para as longas viagens da época, como foi o caso dos soldados que lutaram na Guerra do Paraguai.

No passar do século 20, esse monumento histórico e biológico foi sendo esquecido.  Hoje, vive em um pequeno terreno no Sacomã graças aos cuidados de Yara Rodrigues, 55 anos, 40 deles dedicados a árvore. “Esta Figueira faz parte da minha vida. Desde a infância, sempre brinquei em volta dela e por isso passei a tratá-la como alguém da família. Hoje em dia, vendo as florestas sendo derrubadas, percebo que as pessoas ainda não dão valor para o nosso patrimônio” declara Yara.

 

A Mata Atlântica em São Paulo

A cidade de São Paulo possui uma área de 152.111 hectares. Originalmente, todo seu território era coberto pela vegetação da Mata Atlântica. No entanto, restam hoje no município apenas 17,5% do bioma em bom estado de conservação. Apesar disto, as expectativas são positivas, pois houve uma grande queda no desmatamento na cidade. De acordo com o último levantamento do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado em maio de 2012 pela SOS Mata Atlântica e o INPE, houve desmatamento de apenas 1 hectare na capital paulista, no período de 2010 a 2011.

 

LISTA DAS VETERANAS DE GUERRA

*Imagens podem ser vistas em www.veteranasdeguerra.org .

1. Figueira-das-lágrimas (Ficus organensis)

Pode ser considerada a árvore mais antiga de São Paulo documentada. Sobrevivente da Mata Atlântica ancestral paulistana, essa árvore já assistiu muita história passar sob seus galhos. Situada na estrada que ligava o Porto de Santos a São Paulo do século 19, demarcava o final da cidade e servia de ponto de referência para a triste despedida dos amigos e familiares dos viajantes que seguiam ao Porto, para as longas viagens da época – daí o apelido “lágrimas”. Assim foi com os estudantes da Faculdade de Direito e os soldados da Guerra do Paraguai. Dom Pedro I, indo para o local da proclamação da independência em 1822, passou abaixo da sua copa. Em 1861, o viajante português Emilio Zaluhar escreveu sobre seu grande tamanho e importância para os paulistanos.

No passar do século 20 esse monumento histórico e biológico foi sendo esquecido e hoje vive em um pequeno terreno no Sacomã e ameaçado por uma jovem figueira estrangeira plantada ao seu lado, que compete com a anciã por luz e alimentos. Além de toda essa história, a figueira-das-lágrimas ainda conserva a genética original remanescente da população paulistana da mesma espécie que foi extinta pelo crescimento da metrópole.

Endereço: Estrada das Lágrimas, entre os números 515 e 530, próximo à Rodovia Anchieta, no Sacomã – Zona Sul.

 

2. Chichá do Largo do Arouche (Sterculia chicha)

Nos cartões-postais da primeira metade do século 20, o chichá do Largo do Arouche já era uma árvore gigante e se destacava na paisagem com seu tronco reto e comprido. Nascida provavelmente no século 19, em uma paisagem ainda rural, na propriedade do General José Toledo de Arouche Rendon, essa espécie da Mata Atlântica assistiu a metrópole crescer à sua volta e continua soberana. Uma característica da espécie são as sapopembas ou raízes tabulares – em formato de tábua – que são bem desenvolvidas nesse exemplar. Os índios brasileiros em um passado remoto batiam nas raízes dos chichás para se comunicar na floresta através de linguagem de códigos, que ressoavam como tambores.

Endereço – Largo do Arouche, Centro.

 

3. Ceboleiro do Viveiro Manequinho Lopes (Phytolaca dioica)

Imagine uma árvore com um assoalho enorme formado pelas raízes, onde cabem dezenas de pessoas deitadas embaixo da sua copa. Essa é uma das principais características do ceboleiro existente no Viveiro Manequinho Lopes, do Parque Ibirapuera, uma árvore antiga, provavelmente com mais de 80 anos.

No passado, quando ainda existiam grandes extensões de Mata Atlântica no Estado de São Paulo, os agricultores pioneiros ao procurarem terras para plantar observavam se ocorriam certas espécies de árvores na composição da mata. O motivo é que estas espécies eram consideradas padrão de terra boa para culturas, e o produtor confiava na presença delas para a escolha do terreno acertado e futuras boas colheitas. Uma destas árvores é o ceboleiro, nativo da Mata Atlântica. Nas derrubadas, essas árvores eram geralmente poupadas, pois conferiam um atestado de qualidade para a fazenda, algo como um “ISO” do passado. Muitas fazendas de café do interior do Estado ainda apresentam velhos ceboleiros e paus-de-alho (Gallesia integrifólia, outra espécie também indicadora) em volta dos casarões e isolados nas plantações, testemunhando essa época de desmates.

Endereço: Av. República do Líbano, Portão 7.

 

4.Figueiras da Casa do Caxingui (Ficus organensis)

Duas gigantescas figueiras nativas da Mata Atlântica situadas na Zona Oeste relembram a paisagem rural paulistana de três séculos atrás. A Casa do Caxingui é uma construção tombada da época do Bandeirismo, do século 17, e conserva árvores nativas como um grupo de araucárias e as duas figueiras, sendo uma próxima da casa e outra incorporada ao canteiro central da rua em frente. Essas figueiras nasceram quando toda a região ainda era rural, e provavelmente fizeram parte de uma floresta desmatada há muito tempo atrás e que foram poupadas, como era costume dos agricultores da época, por seu tamanho e beleza. Hoje, seguem desconhecidas de sua importância histórica e biológica, com o exemplar da rua, por exemplo, cheio de pregos fincados no seu lenho.

Endereço: Praça Ênio Barbato I, s/n.

 

5. Jequitibá-rosa da Praça Coronel Fernando Prestes (Cariniana legalis)

Considerada a árvore símbolo do Estado de São Paulo, raros são os locais da metrópole onde se pode observar o jequitibá-rosa em seu formato típico e idade avançada. O exemplar da Praça Coronel Fernando Prestes é certamente centenário, e foi plantado ali possivelmente pela antiga Escola Politécnica.

Essa árvore nativa da Mata Atlântica é o gigante de nossas florestas, e no passado existiam exemplares tão grandes no Estado que, quando caíam nas matas, o barulho da queda se assemelhava a trovões, segundo relatos antigos.

Endereço: Praça Coronel Fernando Prestes – Luz

 

6. Copaíba na Granja Julieta (Copaifera langsdorffii)

O Rio Pinheiros, até a década de 1940, era um rio cheio de curvas e tinha uma exuberante Mata Atlântica em suas margens e várzeas. Após a sua canalização, a vegetação original foi destruída e loteada, e hoje a área abriga bairros muito valorizados da metrópole paulistana. Um desses bairros, a Granja Julieta, teve sua história ligada à colonização alemã, que preservou muitas árvores originais da floresta nos lotes. A maioria dessas árvores desapareceram nas últimas décadas, mas uma imponente copaíba sobreviveu dentro de um terreno particular vazio. Aparentando ser centenário, esse exemplar apresenta a ampla copa típica da espécie e uma profusão de bromélias e outras epífitas típicas da Mata Atlântica nos seus galhos de madeira-de-lei. Por estar tão escondida e em área privada, o destino desse “monumento vegetal” é, no mínimo, incerto.

Endereço: Rua Inácio Borba, 286, Granja Julieta.

 

7. Cambuci de Santo Amaro (Campomanesia phaea)

Frederico Hoehne, o Botânico fundador do Jardim Botânico de São Paulo, considerava o cambuci a árvore-símbolo da Cidade. Produtora de frutos perfumados e saborosos que lembram um disco-voador no formato, essa árvore está intimamente ligada à história paulistana, a ponto de ter nomeado um bairro e rio (hoje canalizado). O cambuci é uma espécie da Mata Atlântica que tinha sua principal região de ocorrência nativa onde atualmente está a metrópole paulistana, e participou no passado dos pomares e da gastronomia local em diversas receitas. Infelizmente, hoje é raridade encontrar um cambuci adulto na cidade de São Paulo, e a espécie pode ser considerada praticamente extinta no seu berço original.

O exemplar de Santo Amaro é aparentemente o mais idoso vivente em toda a malha urbana, remanescente de um pomar muito antigo no Centro Histórico do Bairro e, embora atualmente em uma praça recém-reformada, não teve o reconhecimento e cuidados merecidos como raridade que é.

Endereço: A Praça Salim Farah Maluf fica localizada entre as Ruas Ten. Cel. Carlos da Silva Araujo, Mário Lopes Leão, Paulo Eiró e Cerqueira Cesar.

 

8. Canelas da Praça Buenos Aires (Nectandra megapotamica)

Quem enxerga os belos e tortuosos troncos cheios de nódulos e marcas das grandes e velhas canelas, pode remeter as antigas árvores dos contos-de-fadas. Espécie típica na Mata Atlântica paulistana, a canela é árvore de grande porte e longevidade e está ligada à história da cidade de São Paulo: no passado, os bandeirantes preferiam as madeiras das canelas para erguer suas casas e pontes, devido a sua grande durabilidade. Prova disso é que as madeiras de canelas que viveram séculos atrás ainda são parte de construções da época na cidade. Na Praça Buenos Aires existem diversas canelas centenárias, do tempo da inauguração do local, e que trazem a raridade do uso na época de espécies nativas para a arborização e paisagismo.

Endereço: Av. Angélica, s/n (alt nº1500 da Av Higienópolis)

 

9. Copaíba do Colégio Friburgo

Uma importante sobrevivente da antiga Mata Atlântica que recobria boa parte da região de Santo Amaro até as margens do Rio Pinheiros. Com copa e tronco de grandes proporções, essa centenária e bela árvore nativa nasceu dentro da floresta e hoje resiste em meio a uma escola na Zona Sul de São Paulo acompanhada de outras árvores remanescentes. Sua importância, como patrimônio ambiental da metrópole que é, deveria ser mais divulgada.

Endereço: Colégio Friburgo – Avenida João Dias, 242 – Santo Amaro.

 

10. Figueira do Parque do Carmo (Ficus organensis)

“Irmã” da Figueira-das-Lágrimas, do Caxingui e do Piques, as figueiras-bravas típicas da Mata Atlântica sobreviventes no Parque do Carmo são muito antigas, provavelmente mais do que centenárias. Uma peculiaridade delas é a enorme presença de “barba-de-velho” uma bromélia indicadora de poluição no ar, ou seja, que desaparece em ar poluído. Nas veteranas de outras partes da metrópole essa planta desapareceu junto com a qualidade do ar. A figueira do Parque do Carmo apresenta raízes tabulares impressionantes e características da espécie quando em avançada idade.

Endereço: Av. Afonso de Sampaio E Sousa, 951 – Itaquera.

 

11. Jatobá do Parque da Luz (Hymenaea courbaril)

O parque mais antigo da cidade, criado há mais de 200 anos, é um dos principais redutos de árvores centenárias na cidade de São Paulo. Dentre tantas, se destaca um enorme jatobá aparentando muita idade e que costuma ser visitado pelos bichos-preguiça que vivem na área verde. Nativo na Mata Atlântica paulistana, era de árvores como essa que os índios habitantes da São Paulo da época da fundação tiravam a casca para fazer suas canoas e navegar por rios ainda límpidos como o Tamanduateí e o Tietê.

Endereço – Rua Ribeiro de Lima, 99 – Bom Retiro.

 

12. Jequitibá-branco do Trianon (Cariniana estrellensis)

Essa árvore da Mata Atlântica paulistana é talvez a mais antiga original na região central da metrópole paulistana. Pelo porte, sua idade deve ser acima de 200 anos. Localizada no trecho mais bem preservado do Parque Trianon ou Siqueira Campos, está acompanhado por outros exemplares típicos da mata virgem, que devem ter sido poupados na derrubada ocorrida na floresta no final do século XIX. Nascido na mata do Caaguaçu (mata grande em tupi), como era conhecida toda a Mata Atlântica que recobria o morro da atual Avenida Paulista, ficava próximo da estrada da Real Grandeza, onde assistia passarem tropeiros há 150 anos atrás e hoje assiste a executivos com laptops embaixo dos braços.

O jequitibá-branco é a espécie que tinha maior ocorrência nas matas da cidade de São Paulo, enquanto o jequitibá-rosa ocorre mais para o interior do Estado, a partir da cidade de Jundiaí.

Endereço: Rua Peixoto Gomide, 949, Cerqueira César.

 

13. Paineira da Biblioteca Mário de Andrade (Chorisia speciosa)

Em fotografias da década de 1940 já aparecia essa paineira com porte semelhante ao de hoje, o que mostra sua antiguidade. Situada na Praça Dom José Gaspar, provavelmente é um remanescente do quintal de antigo palacete existente no século XIX, quando São Paulo ainda era basicamente rural na região. Árvore nativa da Mata Atlântica e produtora de um “algodão branco”, a paina, que no passado foi usada para o enchimento de travesseiros e colchões.

Endereço: Praça Dom José Gaspar – na esquina com a Rua da Consolação – República.

 

14. Figueira do Piques (Ficus organensis)

Considerada a maior e mais imponente árvore do Centro de São Paulo, a figueira do Piques fica no Largo da Memória, onde está o obelisco do Piques, o monumento mais antigo da cidade. Com uma copa de dezenas de metros de diâmetro, é um exemplar nativo da Mata Atlântica paulistana que deve ter nascido nas últimas décadas do século XIX, já que em fotografias de 1922 era uma árvore adulta, embora em fotografias da década de 1860 ainda não existisse.

Endereço: Largo da Memória – Centro.

 

15. Jequitibá-branco do Parque da Previdência (Cariniana estrellensis)

A floresta virgem ou intocada pela ação humana não existe mais no município de São Paulo. Talvez alguns diminutos trechos ou árvores tenham sobrado, mas quase toda a Mata Atlântica sobrevivente na região já sofreu pelo menos um corte raso, incêndio, retirada de lenha ou madeiras preciosas. A floresta do atual Parque da Previdência também não escapou desse destino. Entretanto, por alguma razão, sobraram árvores de madeira valorizada e de grande porte como o jequitibá-branco, que chama a atenção dos ainda poucos frequentadores do local.

Endereço: Rua Pedro Peccinini, 88 – Jardim Previdência.

 

16. Passuarés do Parque Volpi (Sclerolobium denudatum)

Essas imponentes e frondosas árvores da Mata Atlântica paulistanas são desconhecidas até mesmo por quem se interessa pelo tema. Outrora espécie muito comum nas matas do Sul do Município de São Paulo, foram sendo gradativamente eliminadas com a urbanização e sobreviveram em espaço restritos na malha urbana, como o Parque Volpi e a Chácara Flora.

Também ocorriam nas proximidades de rios como o Pinheiros e Águas Espraiadas. Os exemplares do Parque Volpi são de grande porte e idade avançada, e poderiam ser usados como matrizes para mudas de arborização urbana.

Endereço: Avenida Engenheiro Oscar Americano, 480 – Morumbi.

 

17. Palmiteiros do Jardim Botânico (Euterpe edulis)

Palmeira de grande beleza e elegância, o palmito-jussara é a planta-mãe da Mata Atlântica, fornecendo com seus frutos alimento para grande parte da fauna, da paca ao tucano. Na cidade de São Paulo ela ocorria em abundância antes da urbanização, mas foi desaparecendo até a quase extinção local pela procura do seu palmito para a culinária e como material de construção. Esse palmital no Jardim Botânico, em volta da nascente de um dos formadores do famoso Riacho do Ipiranga, é uma paisagem ancestral paulistana, verdadeira relíquia ambiental.

Endereço: Avenida Miguel Estefano, 3031 – Jabaquara.

 

18. Araucárias da Serra da Cantareira (Araucaria angustifolia)

São Paulo já teve muitas araucárias na sua Mata Atlântica, tanto que nomeou um bairro por causa da árvore: Pinheiros. Hoje ameaçada de extinção e desaparecida na forma nativa na cidade de São Paulo, poucos são os exemplares centenários sobreviventes, sendo os mais significativos os da Serra da Cantareira, que margeiam a trilha que leva para a Pedra Grande e devem ter sido plantados no final do século XIX por Alberto Loefgren, o fundador do Instituto Florestal. A araucária está fortemente ligada à cultura antiga paulistana, tanto que no passado eram comuns os vendedores de pinhões cozidos nas ruas da cidade, assim como são atualmente os vendedores de hot-dogs.

Endereço: Rua do Horto, 1799.

 

19. Cedro do Butantã (Cedrela fissilis)

Madeira de uso muito difundido na São Paulo colonial, o cedro-rosa participava praticamente de todas igrejas de São Paulo nos altares e imagens. Seus exemplares antigos na Cidade são centenários, mas poucos têm um registro histórico, como o exemplar do Instituto Butantã, que foi fotografado ainda jovem nos primeiros anos do século XX.

Endereço: Avenida Vital Brasil, 1500, Butantã.

 

20. Jabuticabeiras do Pico do Jaraguá (Myrciaria cauliflora)

São Paulo era conhecida nos primeiros séculos de existência como a “cidade dos pomares”, pela fartura de árvores frutíferas nos quintais da então pequena vila. Dentre suas árvores frutíferas se destacava a jabuticabeira, tradição passada pelos índios originais do Planalto Paulistano e muito valorizada pelos paulistanos da época. Existiam até competições e disputas pelas jabuticabeiras mais doces e produtoras no século XIX. Atualmente, poucos são os quintais sobreviventes com a árvore adulta e antiga. No Parque do Pico do Jaraguá existe talvez o último pomar colonial da metrópole, junto à Casa Bandeirista de Afonso Sardinha, do século XVII, com jabuticabeiras e outras frutíferas nativas centenárias, apresentando o formato típico e belo da espécie quando com idade avançada.

Endereço: Rua Antonio Cardoso Nogueira, 539 (acesso pela Rodovida Anhanguera, Km 18).

 


Compartilhe

Comentários

  • Mauricio

    Agora, breve ao 459º aniversário de São Paulo, não só PRESERVAÇÃO ! mais um pouco da HISTÓRIA de São Paulo ! Parabéns…..SOS MATA ATLÂNTICA.

  • rita

    Parabéns pela iniciativa!
    Estou fazendo uma lista de nativas para reflorestar uma área degradada e sua lista será minha pedra fundamental. Obrigada
    Rita

  • hector cezar girardi jaeger

    uma arvore, q pelo q eu sei tinha mais de 40 anos, foi picotada até sua raiz hj na rua américo boaventura no bairro de santa teresinha, pelo deserviço de manejo de arvores da prefeitura de são paulo. A mesma não apresentava risco de queda e servia de abrigo e alimento para vários pássaros. É a segunda árvore arrancada da minha rua em menos de 10 anos. Vim falar aqui, pois como foi arrancada pela propria prefeitura não sabia com quem falar…