Apoie

Guia de Denúncias

<<< Veja ao lado a lista de órgãos para denunciar irregularidades ambientais.

Estudos da ONG WWF mostram que a demanda da população mundial por recursos naturais é 25% maior do que a capacidade do planeta em renová-los. Ou seja, precisamos de um planeta e mais um quarto dele para sustentar nosso estilo de vida atual. (WWF, 2006)

Desde 2002 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica o relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável. Os dados coletados abordam aspectos relacionados à qualidade do ar, destruição da camada de ozônio, emissão de gases que causam efeito estufa, uso de pesticidas agrícolas, desertificação, qualidade da água e biodiversidade, entre outros. As versões posteriores de 2004 e 2008 ampliaram a pesquisa e colocaram à disposição da sociedade um conjunto de informações sobre a realidade brasileira, em suas dimensões ambiental, social, econômica e institucional, referência fundamental para a adoção de ações conservacionistas.

Essas informações indicam que o Brasil e o mundo passam por uma transformação muito grande ao encarar que a capacidade da Terra de suportar a demanda que a humanidade imprime sobre seus recursos tem limite.

A agressão ao meio ambiente atinge a nós mesmos. Ou será que não somos personagens dessa história? Somos todos agentes transformadores e, se estamos utilizando essa capacidade para transformarmos para o mal, também podemos utilizá-la para o bem. As pessoas, de maneira geral, passaram a reconhecer a necessidade de uma mudança dê comportamento diante das questões ambientais, e isso inclui o ato de protestar e denunciar. É sobre essa postura ativa do cidadão que queremos falar com você.

De maneira incisiva ou irônica as pessoas buscam se expressar. A Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), por exemplo, lançou de 1982 à 2005, a “Lista Suja” , uma espécie de lista negra que relacionava os agentes que mais contribuíam para a degradação ambiental em Minas Gerais e no país. Na capital paulista, houve um tempo em que foi criado um “prêmio”para o candidato que mais poluía a cidade com suas propagandas, o Troféu Porcolino. Nesta mesma linha de ação, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulga semestralmente, a lista de empregadores que exploraram trabalho escravo (Ministério do Trabalho e Emprego, 2009)

Outro sinal da mudança positiva de comportamento dos brasileiros é o fortalecimento dos canais de participação do consumidor. Essa mudança de perfil tem sido testemunhada pelos órgãos de defesa do consumidor, que a cada dia têm maior exposição na mídia. Certamente a maior motivação para a procura desses órgãos é o prejuízo financeiro causado pelo consumo de produtos e serviços.

Com relação ao meio ambiente, no entanto, ainda há uma concepção equivocada de que sua degradação não implica perda financeira, de que não há interferência direta e imediata em nossas vidas. Em grande parte, essa postura se deve ao fato de que aquilo que é de todos acaba parecendo não ser de ninguém. Claro que isso não é verdade.

Algumas pesquisas de opinião têm sido feitas para descobrir o que o brasileiro pensa sobre o meio ambiente. Em 2006, o WWF e Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) mostraram, através da pesquisa O que o brasileiro pensa e faz em relação à conservação e uso da água, que 52% dos entrevistados consideraram a poluição das águas como o maior problema ambiental do país, seguido do desmatamento, com 49% das opiniões. O lixo, apontado como o terceiro maior problema, ficou com 8%.

A percepção dos problemas, no entanto, está diretamente relacionada ao meio onde as pessoas vivem. Por exemplo, em regiões bastante industrializadas como o sudeste do país, as pessoas que ali moram quando indagadas sobre os principais problemas ambientais citam a poluição do ar como um dos principais problemas.

A percepção dos problemas, no entanto, está diretamente relacionada ao meio onde as pessoas vivem. Por exemplo, em regiões bastante industrializadas como o sudeste do país, as pessoas que ali moram quando indagadas sobre os principais problemas ambientais citam a poluição do ar como um dos principais problemas.

A fiscalização e a conscientização tem sido apontadas como importante estratégias para o enfrentamento dos problemas que afetam o meio ambiente. Neste sentido, é interessante a experiência da Divisão de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em São Paulo, que percebeu que a consciência ambiental da população aumentou muito nos últimos anos. Os indicadores dessa mudança são o aumento da quantidade de denúncias e a qualificação que as pessoas adquiriram por meio de campanhas educativas realizadas pelo governo, por organizações da sociedade civil e pela mídia.

A população foi aprendendo a identificar potenciais causas de impacto ambiental e se inteirando dos termos técnicos e legais para empregá-los em suas reivindicações, o que mostra ao Poder Público que as pessoas estão atentas e informadas. Essa pressão, por sua vez, tem feito com que os órgãos governamentais de meio ambiente estejam cada vez mais em contato com os cidadãos para troca de informações e até para estabelecer novos encaminhamentos para situações que ainda não têm um protocolo definido. Com o avanço tecnológico, novas questões surgem a cada dia e soluções têm de ser estudadas e implementadas.

Quer um bom exemplo? O lixo informático. Sim, é muito recente a geração de lixo dessa categoria. São inúmeros componentes eletrônicos que precisam ser dispostos adequadamente. Caso contrário, haverá perigo de contaminação ambiental.

O lixo é um dos principais problemas que afligem cidades do mundo inteiro. Outras questões, como desmatamento, queimadas, poluição atmosférica, qualidade da água, comércio de animais silvestres, poluição de mananciais, perda de biodiversidade, também estão na pauta de discussões dos problemas ambientais que enfrentamos diariamente, porém apenas como espectadores.

Nosso objetivo com esta publicação é apresentar dados e informações sobre alguns temas ambientais de grande relevância e dessa forma sensibilizar e instigar cada cidadão a considerar esses problemas como ameaças ao seu patrimônio, seja este seu próprio corpo ou seu espaço físico, e auxiliá-lo a tomar as medidas protetoras ao seu alcance toda vez que esse patrimônio for ameaçado.