Festa para
a cidadania, a participação e o meio ambiente
“Participar como agentes multiplicadores, mobilizando e sensibilizando a sociedade sobre a importância da preservação do meio ambiente, despertando-a para a mudança de valores e fortalecendo o exercício da cidadania”
(Missão do Voluntariado
da SOS Mata Atlântica)
Desde que foi criada, a Fundação SOS Mata Atlântica sempre buscou a mobilização e o envolvimento de pessoas
em torno de suas causas sócio-ambientais. Mas a vontade de
participar de ações mais efetivas falava alto e esse
foi o primeiro passo para a criação de um grupo de voluntários
da instituição, cuja primeira reunião aconteceu
em 31 de julho de 1997. Desde o ano anterior, quando
a questão do voluntariado começou a ser discutida no
país, já havia uma movimentação nesse
sentido.
O programa Comunidade Solidária, coordenado pela então
primeira-dama Ruth Cardoso, criou os Centros de Voluntariado
por todo o Brasil, processo do qual fez parte a SOS Mata Atlântica,
como uma das organizações envolvidas. Paralelamente,
a vinda de uma delegação da United Way of Canada disseminou uma nova visão sobre o voluntariado. Tratava-se
de uma proposta diferenciada, não-limitada à filantropia,
que abriu as portas para a criação de um projeto conjunto
entre seis organizações brasileiras e uma canadense,
o GETS – Grupo de Estudos do Terceiro Setor.
Este trabalho envolvia a realização de várias
oficinas, como Captação de Recursos e Voluntariado,
para capacitar as organizações brasileiras e suas redes.
Além da experiência para a formulação de
uma nova proposta de voluntariado no país, o projeto resultou
em uma publicação de três volumes sobre o assunto.
De uma parceria entre a Agência Canadense para o Desenvolvimento
Internacional (CIDA) e a SOS, nasceu o projeto DRINK (Fundo
de Disseminação, Multiplicação, Informação
e Aumento do Conhecimento), para a aplicação
das oficinas Modelo Colaborativo e Técnicas de Facilitação
para Preservação da Mata Atlântica junto a seus
grupos de trabalho – Monitoramento do Tietê, comunidades
da Cachoeira, Praia Branca e Voluntariado. O envolvimento dos voluntários
em oficinas de fomento tornou-se fundamental para a difusão
do Modelo Colaborativo dentro dos quadros de colaboração
da entidade, bem como para potencializar capacidades dentro do próprio
grupo, ao atuarem como agentes multiplicadores.
As primeiras experiências do modelo com o grupo de voluntários
da SOS ocorreram na Estrada Parque de Itu, com mutirões para
sensibilizar os freqüentadores da região. Mesmo sem a
metodologia teórica, nessa época, as ações
do Voluntariado já possuíam uma abordagem colaborativa.
Visando subsidiar ainda mais os trabalhos, foi criado um Grupo de
Estudos de Educação Ambiental, sob a orientação
do professor Fabio Cassino.
“Sempre nos preocupamos com a capacitação
e a troca de informações e, nesse sentido, organizamos
vários encontros ao longo dos anos”, -
frisa o coordenador do Voluntariado, Beloyanes Monteiro – o
Bello.
As reuniões semanais apresentavam um “quorum” significativo,
quando então as experiências eram debatidas e o rumo
dos trabalhos, definido. O desejo de fazer sempre norteou os trabalhos
do grupo e gerou as ferramentas necessárias para tal.
Foi com esse espírito participativo que, no ano 2000, uma experiência
marcou de forma especial o Voluntariado da SOS: a criação
da Plataforma Ambiental. Cada um dos voluntários pesquisou
e contribuiu com pontos importantes, que foram reunidos em um extenso
documento entregue à prefeita Marta Suplicy –
um exercício pleno de cidadania. Em 2004, os voluntários
retomaram a Plataforma, contribuindo com novas idéias e sugestões.
Revisto, debatido e complementado, o documento será encaminhado
aos candidatos a prefeito e a vereador de São Paulo e, oportunamente,
divulgado a toda a sociedade.
No mesmo ano em que nasceu a Plataforma Ambiental, foram criados diversos
comitês para encaixar os voluntários dentro de modalidades
específicas. Esse fato retrata uma das características
mais marcantes do Voluntariado: a diversidade. Diferentes idades,
crenças, origens, formações e profissões
são contempladas dentro do grupo, um espaço de respeito
mútuo em que habilidades individuais contribuem para construir
um bloco coeso e participativo com um objetivo comum. Embora a experiência
dos comitês tenha sido válida, sentiu-se a necessidade
de aglutinar novamente as pessoas. Pessoas que realizaram importantes
trabalhos em feiras e campanhas, a exemplo do “Jogue
Limpo Cairuçu”, em Parati. Durante o Carnaval,
os voluntários levavam informação aos turistas
sobre recolhimento e separação do lixo nas praias, apoiando
e mantendo contato com a comunidade local.
Essa vocação natural para a Educação
Ambiental é justamente um dos alicerces do programa Plantando Cidadania, lançado em 2001 pela
SOS Mata Atlântica, para trabalhar com crianças de 7 a 12 anos de escolas municipais. Desde então, mais de 5 mil
alunos foram atendidos pelo programa, com a realização
de workshops, oficinas de educação ambiental e dinâmicas
voltadas aos temas cidadania e meio ambiente.
Já em 2003, os voluntários se engajaram em ações
do Projeto Estrada Parque Serra do Guararu, no Guarujá,
trabalho que envolve (mais) diretamente duas comunidades – Cachoeira
e Prainha Branca. Desenvolvendo atividades nas escolas da
região, pesquisas e orientação sobre coleta seletiva,
o grupo tem exercido um papel fundamental junto aos moradores locais.
E essa é uma história que segue firme e forte. As ações
no Guarujá andam de vento em popa, os princípios do Modelo Colaborativo nunca foram tão aplicados
e a Plataforma Ambiental está a caminho.
“Nosso trabalho é de formiguinha”,
costuma dizer o coordenador Bello, mas são pequenas ações
que, multiplicadas, podem gerar grandes mudanças. Munidas de
muita vontade, respeito e espírito de equipe, as formiguinhas
do Voluntariado vão à luta e o 7º aniversário
do grupo é mais uma vitória a ser comemorada!
Parabéns, companheiros!