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Costa dos Corais devolve mais um peixe-boi à natureza
04/04/2017


Há cada vez mais vida na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais. Na semana passada, o peixe-boi Diogo foi devolvido à natureza, após ter sido resgatado e passar por um período de reabilitação. O local da soltura foi Porto de Pedras (AL).

Essa já é a segunda reintrodução da espécie no ano e a 46ª desde 1994. A ação foi conduzida pelo Programa Peixe-Boi/CEPENE (Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste), com apoio da Fundação Toyota do Brasil, SOS Mata Atlântica e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Diogo foi resgatado ainda filhote no Rio Grande do Norte e precisou aprender a se alimentar no período em que ficou em reabilitação. Até os quatro anos só aceitava mamadeira – eles são mamíferos herbívoros e comem plantas e folhas de mangue após o desmame. Agora, Diogo tem aproximadamente 2,43 metros e 314 kg e se alimenta bem. Os animais da espécie podem atingir até 4 metros e 600 kg.

Soltura do Peixe-boi Diogo. Foto: Rafael Munhoz.

Soltura do Peixe-boi Diogo. Foto: Rafael Munhoz.

Iran Normande, chefe da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, explica que a região foi escolhida para a soltura porque ainda tem ambiente íntegro, com alimento para o animal (como o capim-agulha) e manguezais conservados. “Os peixes-boi entram no mangue para beber água e se reproduzir. É um animal marinho, mas que vive em ambiente doce e salgado. Além disso, os recifes de corais formam um ambiente abrigado para ele”, afirma.

Um dos objetivos também é reconectar a população da APA com a que vive mais ao norte. “É muito importante aumentar a riqueza genética das populações, pois as pequenas e isoladas têm mais chances de serem extintas”, diz ele.

Animal ameaçado

Antes considerada “criticamente ameaçada de extinção”, a espécie hoje é avaliada como “em perigo” – estima-se que existam cerca de mil indivíduos na natureza, enquanto no passado eram cerca de 500 apenas.

No passado, porém, a espécie já foi muito abundante no país. Há relatos de caravelas que saíam para a Europa com 500 indivíduos – as pessoas comiam sua carne, usavam seu óleo e o couro era utilizado em correias industriais.

Atualmente, a caça não é a principal ameaça, mas a perda de seu habitat. Muitos manguezais são destruídos para a criação de camarão em cativeiro, por exemplo.

Felizmente, a maioria das reintroduções tem sido bem-sucedida. Os peixes-boi são monitorados e, caso não se adaptem ou não consigam se alimentar sozinhos, são colocados novamente no recinto fechado. O Açú, por exemplo, foi solto três vezes, mas precisou retornar.

APA Costa dos Corais

A APA Costa dos Corais abrange 13 municípios, nos Estados de Alagoas e Pernambuco. Engloba 413 mil hectares e o segundo maior ambiente recifal do mundo. Para garantir preservação da biodiversidade marinha na região, há 17 anos foi criada a primeira área fechada para pesca e turismo, com 440 hectares no município de Tamandaré (PE). Na chamada Zona de Preservação da Vida Marinha só é permitida a realização de pesquisas científicas, que mostram o aumento dos estoques pesqueiros e o retorno de espécies importantes para a região, como o mero. Muitos pescadores resistiram à iniciativa, mas hoje também colhem seus benefícios. “Eles perceberam que com a moratória os peixes maiores e crustáceos aos poucos voltaram a colonizar a área e passaram a frequentas as áreas no entorno”, explica Mauro Maida, oceanógrafo e professor da Universidade Federal de Pernambuco. Com o sucesso, mais duas áreas já foram fechadas na APA, uma em Japaratinga e outra em Maragogi. A intenção é que cada município da Costa dos Corais tenha a sua.

Parceria

O Projeto Toyota APA Costa dos Corais é uma parceria entre o ICMBio, a Fundação SOS Mata Atlântica e Fundação Toyota do Brasil iniciada em 2011 para a constituição de um Fundo de Apoio à Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais por um período de 10 anos. “A iniciativa conta com doações de 1 milhão de reais por ano pela Fundação Toyota, e a SOS Mata Atlântica realiza a gestão técnica e financeira desse recurso para que 50% desse montante seja utilizado, de forma desburocratizada e eficiente, no apoio a atividades e projetos propostos pela equipe gestora da APACC e também parceiros locais. Com isso, espera-se a total implementação da unidade de conservação e o fortalecimento das entidades locais para apoio à gestão da área”, explica a bióloga Camila Keiko Takahashi, da SOS Mata Atlântica.

O restante do recurso é colocado em uma carteira de investimentos para que seus rendimentos futuros garantam que as atividades essenciais ao funcionamento da APA sejam sempre desenvolvidas. Dessa forma, o Fundo de Apoio oferece segurança financeira à unidade de conservação para que se possa haver um planejamento de médio e longo prazo para a implementação eficiente da área e garanta, assim, a conservação da natureza aliada ao uso sustentável dos recursos naturais ali presentes. “Esse tipo de mecanismo é fundamental para contribuir com a implementação de UCs estratégicas e emblemáticas para todo o sistema de Unidades de Conservação”, reforça Erika Guimarães, gerente de áreas protegidas da SOS Mata Atlântica. “Nossa meta é engajar cada vez mais o setor privado no apoio à consolidação dessas áreas.”


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Comentários

  • Paulo Gomes

    Projeto excelente com resultados visíveis,graças à seriedade das Instituições e aos Profissionais envolvidos, Parabéns.