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Mario Mantovani: ativismo pelos rios e pela água
19/12/2018


Quem conhece Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, sabe de seu ativismo, mas nem todos sabem como começou sua luta por água limpa. Desde o início dos anos 1980, Mantovani luta pela melhoria da qualidade da água dos rios brasileiros, atuação que o fez receber, no início de dezembro, a medalha Velho Chico do Comitê de Bacia Hidrográfica do rio São Francisco (CBHSF).

A medalha é uma forma de reconhecimento público àqueles que contribuem para a preservação e defesa do rio São Francisco, chamado carinhosamente de Velho Chico. Segundo o CBHSF, as pessoas que recebem tal premiação “dedicam suas inspirações e transpirações para despertar no outro o significado e valor das águas e do Rio São Francisco para todos os brasileiros, mas, sobretudo para aquelas populações que dependem delas no sentido simbólico, cultural e de sustento para as comunidades“. Tal afirmação é pertinente com o histórico de atuação de Mario Mantovani pela água no Brasil.

Nos anos 1980, ele participava de movimentos da sociedade civil que lutavam contra a forma como a gestão da água caminhava. Na época, ainda se tinha uma visão utilitarista sobre a água, vista apenas como fonte de geração de energia, além do mito da abundância, algo que já se mostrou equivocado. Assim, era necessário pensar no uso múltiplo da água e não apenas como recurso natural, mas como um bem de interesse coletivo cujo o acesso é um direito humano, visão que surge a partir da Constituição de 1988, que trata de patrimônios da nação dotados de valor econômico, como a água.

Ao criar o projeto Observando o Tietê na Fundação SOS Mata Atlântica, no início dos anos 1990, Mantovani passou a estimular que a sociedade pensasse nos rios como um todo, sendo o primeiro presidente de um comitê de bacia hidrográfica (Alto Tietê) vindo de uma organização da sociedade civil. Esse trabalho fez com que a fosse possível trabalhar a lei estadual de São Paulo e a lei federal de 1997 pelas águas, o que deu visibilidade nacional à organização e ao seu projeto, passando a ser chamado de Observando os Rios e atuando nos 17 estados da Mata Atlântica como acontece hoje.

Com isso, a Fundação SOS Mata Atlântica fomentou na sociedade o interesse em apoiar outros movimentos pela melhoria da qualidade da água em todo o Brasil. Hoje, o projeto não observa apenas o Tietê, e se tornou o Observando os Rios – com mais de 230 corpos d’água analisados, por cerca de 3.500 participantes.

“Nos empenhamos muito pela revitalização do São Francisco. Essa medalha vem valorizar essa trajetória, em um momento extremamente importante. Para nossos rios não existem barreiras, por onde eles passam encontram caminhos para romper os obstáculos. Acredito que minha relação com as águas vem daí, estou sempre buscando a superação dos desafios e é assim que continuaremos sempre“, afirma Mantovani.


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Comentários

  • André Figueiredo

    Parabéns Mantovani! Seu ativismo e sua dedicação servem de exemplo para as novas e as próximas gerações cuidarem da água e dos rios como bens essenciais para a sobrevivência e para melhoria da qualidade de vida de todos. Merecido reconhecimento!