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Resultados do Viva a Mata 2012
23/05/2012


Viva a Mata 2012 recebeu mais de 100 mil pessoas no Parque Ibirapuera

No último final de semana (18 a 20/5), mais de 100 mil pessoas estiveram no Parque Ibirapuera, em São Paulo, para participar do Viva a Mata 2012, maior evento brasileiro em prol da Mata Atlântica. Com centenas de atividades gratuitas, o Viva a Mata levou o mar para dentro do parque com o tema “Nosso verde também depende do azul”, que tinha como proposta mostrar aos visitantes a importância da zona costeira e ecossistemas marinhos.

Organizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, o evento comemorou também o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio) e teve patrocínio do Bradesco e da Natura, apoio da Rádio Estadão ESPN, Globo, TAM e Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. A Eldorado foi a rádio oficial do evento.

A abertura oficial do evento aconteceu um dia antes (17/5), no Porão das Artes do parque, numa solenidade que reuniu diversas personalidades engajadas com a preservação do bioma, a começar pelo próprio mestre de cerimônia, André Trigueiro, um dos principais jornalistas especializados em sustentabilidade no Brasil.

No evento, a Fundação lançou a publicação “25 anos de mobilização“, que mostra como a ONG atua. Este livro é o primeiro da série “SOS Mata Atlântica”, que vai abordar os principais temas da Fundação. Para celebrar este histórico de mobilizações, a ONG homenageou profissionais que têm uma relação especial com a Mata Atlântica e participaram de importantes mobilizações ao longo dos 25 anos da Fundação.

Palestras e Debates

O Viva a Mata 2012 contou com uma rica programação de debates, palestras, oficinas e rodas de conversa para discutir diversos temas relacionados ao bioma. No primeiro dia (18/5), os encontros se concentraram em temas destinados a produtores rurais, proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e interessados em questões como Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e Restauração Florestal. Entre os temas estavam “Pagamentos por Serviços Ambientais: legislação e iniciativas públicas”, “Sustentabilidade das RPPNs” e “Desafios da Restauração Florestal”.

No segundo dia (19/5), o foco foram os encontros relacionados ao litoral e os oceanos, como as áreas protegidas, a economia azul, as estratégias para conservação marinha e a relação entre surf, praia e sustentabilidade.

A Rio+20 foi o grande destaque da programação do último dia do evento (20/5). A exatamente um mês antes da conferência para o desenvolvimento sustentável, o Viva a Mata reuniu especialistas sobre o tema no debate “Sociedade Civil rumo à Rio+20”. Participaram da mesa Pedro Roberto Jacobi, professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM/IEE) da Universidade de São Paulo (USP); Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP); Nabil Bonduki, arquiteto e professor de Planejamento Urbano da FAU-USP e ex-secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA); João Paulo Capobianco, do Conselho Diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), ex-secretário-executivo do MMA e um dos fundadores da SOS Mata Atlântica; Ricardo Young, empresário e fundador do Instituto Ethos Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, além do diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani.

Palco do Caminhão

Uma das principais plataformas para as atividades do Viva a Mata é o palco do projeto “A Mata Atlântica é Aqui – Exposição Itinerante do Cidadão Atuante”, que viaja pelo Brasil para conscientizar a população sobre a importância da Mata Atlântica para suas nossas vidas. O projeto, lançado em maio de 2009, já visitou 90 cidades e possibilitou a interação com mais de 400 mil pessoas. Agora, em sua quarta fase, lançada no Viva a Mata, a exposição passa a ter dois caminhões adaptados que viajarão juntos por cidades do litoral do país.

Durante os três do evento, os caminhões ficaram expostos para visitação e abrigaram a “Sala Exposição Itinerante”, um palco para atividades voltadas a públicos de todas as idades. Entre as atividades, foram realizadas oficinas e rodas de conversa, como as que abordaram os temas “Plantando Cidadania 10 anos”, “15 anos do Programa de Voluntariado da SOS Mata Atlântica”, “Gestão de Organizações do Terceiro Setor” e “Educação Ambiental Rumo à Rio +20”.

Código Florestal

Na manhã do último dia do Viva a Mata (20/5), cerca de 2 mil pessoas se vestiram de verde e se reuniram no ato público #VetaTudoDilma, que pede o veto integral da presidente Dilma Rousseff ao projeto do novo Código Florestal.

A concentração começou, às 10h, em frente ao Monumento às Bandeiras, do lado de fora do Parque Ibirapuera, e depois seguiu para a Arena de Eventos do Parque, onde acontece a oitava edição do Viva a Mata, maior evento brasileiro em prol da Mata Atlântica. A manifestação foi organizada pela Fundação SOS Mata Atlântica, com apoio dos comitês em Defesa das Florestas nacional e paulista, coalizões formadas por centenas de organizações da sociedade civil brasileira.

“Milhares de pessoas, vindas de todos estados brasileiros, estão hoje aqui reunidas para dizer que o patrimônio brasileiro é de toda a sociedade e que a legislação ambiental não pode ser alterada para atender a interesses de pequenos grupos”, destacou Mario Mantovani, diretor de Política Públicas da SOS Mata Atlântica, um pouco antes de solicitar aos manifestantes que erguessem o cartaz que trazia o resultado da petição online da Avaaz contrária ao novo Código. “Um total de 1.800.696 pessoas assinaram o pedido de veto à presidente. Em números, igualamos às assinaturas da campanha Ficha Limpa, o que demonstra como a sociedade está mobilizada para evitar o retrocesso de nossa legislação”.

Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação, chamou atenção para o impacto do Código Florestal nas áreas de nascentes e beiras de rios, um dos pontos mais delicados de toda a discussão sobre a nova lei. “Sem floresta não há água. O Código Florestal atual dá garantia de vida para a sociedade, pois segue todas as bases da legislação ambiental brasileira e protege nossos rios, mares e florestas.”

Quem também participou do ato foi o ator e ativista Victor Fasano. Ele ressaltou que esta foi a última chance de a sociedade para pedir o veto à presidente. “Quem vai decidir o futuro do Brasil somos nós. Está na hora de enxergar nossas árvores e nossas florestas como monumentos da nossa cultura e da nossa história. Graças a uma árvore nosso país se chama Brasil. Temos a maior floresta tropical do mundo e precisamos preservá-la.” Fasano destacou ainda que “o Código Florestal precisava sim de mudanças, mas baseadas no que cientistas, biólogos, estudiosos e agrônomos têm a dizer, e não na vontade de poucos políticos”.

Expositores

Foram 80 os expositores de todo o Brasil, entre ONGs, associações e reservas particulares (RPPNs), que marcaram presença no Viva a Mata para apresentar seus projetos e realizar atividades como oficina de plantio de mudas, palestras, debates, teatros e jogos, entre outros.

Os expositores se distribuíram em 18 estandes, divididos em 13 diferentes temas: “Costa Atlântica”, “Centro de Experimentos Florestais”, “Produtos Sustentáveis”, “Áreas Protegidas”, “Ações Regionais”, “Educação Ambiental”, “Fauna e Flora”, “Reciclagem”, “Lagamar”, “Água”, “Túnel dos Sentidos”, “Oficina de Plantio” e “Empresas pela Mata Atlântica”.

No estande do “Polo Ecoturístico do Lagamar”, uma região famosa pela prática do ecoturismo e do turismo de aventura, a SOS Mata Atlântica e parceiros locais realizaram diversas oficinas, como as de produção de biojoias com fibras de bananeira e a de porta lápis ou porta canetas, feitos com frutos do Jequitibá, que também servem como instrumento musical.

Outro destaque foi o estande da Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (AMANE), de Recife (PE), que marcou presença no estande “Ações Regionais”. A equipe realizará demonstrações performáticas de danças típicas do Nordeste, malabares e rodas de contar história. No mesmo estande, a Fundação Mamíferos Aquáticos, de Aracaju (SE), em parceria com o Instituto Biota de Conservação, de Maceió (AL), promoverá oficinas de simulação sobre o que se deve fazer ao encontrar um animal encalhado na praia, além de exposições e painéis com os projetos das organizações.

No estande “Costa Atlântica” o público poderá participar de jogos interativos com a Associação Mar Brasil, de Pontal do Paraná (PR). A equipe vai mostrar o trabalho realizado no litoral paranaense, mostrando a importância dos recifes artificiais. Uma das atividades é o jogo de tabuleiro gigante, onde crianças e adultos atuam como os pinos do jogo e as casas contornam o mapa do litoral.

Cenografia sustentável

A Cenário Brasil realizou o projeto cenográfico para o Viva Mata 2012. A escolha dos materiais para o evento reflete a vontade de utilizar elementos comuns e mostrar que ao reciclar é possível dar uma nova roupagem, mais sofisticada e inusitada, ao que seria transformado em lixo.

O uso da madeira foi reduzido ao máximo e, no lugar dela, materiais alternativos foram incorporados. Caixas de papelão reciclado foram utilizadas como material de fechamento, mas com dois tipos de papel que possibilitam brincar com os tons. Além das paredes, o papelão em chapa foi usado na divisão das estantes e mobiliário em geral.

Em algumas seções foram aplicados tubetes de papelão, usados comumente na indústria para as bobinas de papel e tecido. A composição, uma espécie de “grade” de tubos de papelão, serve para dar leveza ao espaço e possibilita a passagem do vento, diminuindo a pressão sobre os painéis.

A madeira utilizada é originada de fontes certificadas de reflorestamento ou possui o selo verde Forest Stewardship Council (FSC) – em português, Conselho de Manejo Florestal. Todos os detalhes foram supervisionados pela SOS Mata Atlântica de forma a proporcionar um ambiente agradável para o público e, ao mesmo tempo, prezar pela sustentabilidade do evento.


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