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Paulo Piau, o Código Florestal e a Mata Atlântica
02/03/2012

Nesta semana em Brasília ocorreu um seminário chamado “Código Florestal e a Ciência: o que nossos legisladores ainda precisam saber”. Já no fim do evento, o relator do Código Florestal na Câmara, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que integra a Frente Parlamentar da Agropecuária, apareceu para debater o tema. Ele foi o autor da polêmica emenda 164, estende aos Estados o poder de decidir sobre atividades agropecuárias em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Durante o seminário, Piau admitiu que o novo Código, se aprovado, trará anistia e reduzirá as áreas protegidas. “Na minha avaliação vai haver perda sim, o que você está chamando de anistia. (…) Em relação à lei atual, vai haver realmente áreas que deveriam ser Áreas de Preservação Permanente e reserva legal que deixarão de ser, é a chamada consolidação. Mas nós temos que enxergar que estamos numa condição boa em relação ao resto do mundo, temos 60% do território com vegetação nativa”, disse ele.

Piau, que é ligado às empresas de celulose, também opinou que o desmatamento da Mata Atlântica foi inevitável, irritando a plateia presente. Muitos inclusive deixaram o auditório após esse comentário do deputado: “O Brasil vem sendo colonizado do litoral para o interior. A primeira mata que foi para o chão foi a Mata Atlântica, para produzir o que produzimos hoje. Derrubamos mais do que devia? Derrubamos. Deveria ter pelo menos 20%, mas temos 7%. Quer dizer, isso realmente podemos dizer que é um desastre. Podemos recompor? Vamos recompor, se pudermos chegar nos 20% acho que é uma obrigação nossa, um passivo que a gente deve à Mata Atlântica brasileira. Agora, tinha jeito de não derrubar nada? Não tinha. Não tem jeito de produzir alimento e energia sem intervir na natureza”, concluiu ele.

Para a SOS Mata Atlântica, o governo e a sociedade deveriam se unir para garantir a efetiva proteção dos 7,9% que restaram da Mata Atlântica original. E trabalhar para ampliar essa área com ações de reflorestamento. Infelizmente, porém, a aprovação do novo Código significa que o bioma que tanto tentamos defender estará irremediavelmente condenado.

Quem quiser pode conferir parte da conversa entre o professor da USP José Eli da Veiga e o deputado durante o seminário:


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