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Relatório aponta redução de 70,7% no trecho de rio morto do Tietê
18/09/2014


Em quatro anos, o trecho considerado “morto” do rio Tietê foi reduzido em 70,7% e hoje se localiza entre os municípios de Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus, um segmento de 71 quilômetros no qual os índices ainda variam de ruim a péssimo. O resultado é parte do relatório “O Retrato da Qualidade da Água e a evolução parcial dos indicadores de impacto do Projeto Tietê”, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica nesta quinta-feira (18/9), em São Paulo, durante mesa-redonda que discutiu os usos possíveis do maior rio paulista.

No início do projeto de despoluição, em 1993, o rio estava morto em 530 quilômetros, de Mogi das Cruzes até o reservatório de Barra Bonita. No fim de 2010, ao término da segunda etapa do Projeto Tietê, o trecho de rio morto compreendia uma extensão de 243 quilômetros, de Suzano até Porto Feliz. Com a mancha atual, entre Guarulhos (132 km da nascente) e Pirapora do Bom Jesus (203 km da nascente), a redução foi de 86,6% em relação a 1993 e de 70,7% em relação a 2010.

“Apesar de boa notícia, é importante destacar que, para que o Tietê se recupere em São Paulo da forma que a população espera, é preciso aprimorar a legislação e fazer o controle de lançamentos de efluentes industriais e domésticos. Houve um desmonte da fiscalização e hoje os lançamentos são declaratórios, e ainda ocorrem muitos lançamentos clandestinos e irregulares”, afirma Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica.

O relatório é resultado do monitoramento da qualidade da água dos rios das bacias hidrográficas do Alto e Médio Tietê, que abrangem 68 municípios paulistas, num trecho de 576 quilômetros, entre Salesópolis e Barra Bonita. No total, 82 pontos foram analisados entre setembro de 2013 a setembro de 2014. O monitoramento é realizado por grupos de voluntários.

As secas e as chuvas no Estado de São Paulo impactaram a qualidade da água do rio Tietê, especialmente no trecho de 38 quilômetros entre o município de Guarulhos, passando pelas Marginais na capital paulista, até a divisa com o município de Osasco. Já no Alto Tietê, mesmo com a crise hídrica, a qualidade da água saiu de regular para boa em dois pontos por conta da existência de Unidades de Conservação e áreas protegidas, em Salesópolis e Biritiba-Mirim.

Qualidade da água no Tietê

Na Região Metropolitana de São Paulo, investimentos em saneamento básico possibilitaram que 18 pontos de coleta distribuídos em córregos e pequenos rios da Capital deixassem uma condição péssima – de rios completamente mortos – e passarem para índices ruins, regulares e bons. Em toda a bacia, a ampliação da rede de coleta e do volume de esgoto tratados têm resultado na melhoria da qualidade da água – no total, os pontos de coleta com índices de qualidade péssima caíram de 7 para 3. Já o aumento de 3 para 10 pontos com qualidade de água boa reforçam a importância do envolvimento das comunidades locais com as ações de conservação dos rios e nascentes e com a existência de áreas protegidas ou áreas verdes.

Após 23 anos de luta da sociedade, deflagrada em 1991 com o início da campanha para despoluição do rio, o Projeto Tietê tem como nova meta a universalização do saneamento em São Paulo entre os anos de 2018 e 2020, com a recuperação dos rios.

Dados: Índices

2010

 %

2014

%

17 rios Ótima

0

0

0

0

38 córregos Boa

3

4,2

10

12,1

01 represas Regular

42

59,1

39

47,5

03 lagos Ruim

19

26,7

30

36,5

59 corpos hídricos Péssima

7

9,8

3

3,6

36 municípios Índices

71

100%

82

100%

17 pontos no rio Tietê
Total de pontos

82

11 pontos novos

Para os especialistas da Fundação SOS Mata Atlântica, porém, o ritmo atual indica que teremos em 2020 ainda muitos desafios para que os rios urbanos possam ser utilizados, especialmente no trecho que atravessa a Região Metropolitana. A baixa disponibilidade de água e a sazonalidade dos rios na bacia hidrográfica do Alto Tietê deixam evidente a necessidade de aprimoramento na legislação que trata do enquadramento dos rios e dos parâmetros de lançamento de efluentes.

Por isso, a SOS Mata Atlântica defende a extinção da classe 4 de rios na Resolução Conama 357, que atualmente permite a figura do rio morto, destinado à paisagem, diluição de efluentes e geração de energia.

Clique aqui para ver o relatório completo.


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