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As possibilidades de uso do rio Tietê
23/09/2014


O Rio Tietê é alternativa de água para São Paulo? Os especialistas que participaram da mesa-redonda realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica no dia 18 de setembro acreditam que sim.

Para Aristides Almeida Rocha, doutor em Ciências Biológicas e professor Emérito da Faculdade de Saúde Pública da USP, é viável usar a água do Tietê com a tecnologia existente hoje, desde que se tenha um bom projeto, elaborado por engenheiros, e vontade política.

Samuel Barreto, diretor do Movimento Água para São Paulo da The Nature Conservancy (TNC), concorda. “Dependendo da crise hídrica esse processo vai ocorrer mais cedo. Existe tecnologia, mas temos de mudar o modelo, recuperar o rio e as áreas produtoras de água, o que tem impacto direto na qualidade e quantidade de água”, afirma. Segundo ele, São Paulo tem uma oportunidade muito grande pela frente. “Precisamos unir os esforços de governos, sociedade civil e empresas privadas”, disse.

Renato Tagnin, arquiteto e urbanista, professor e pesquisador do Centro Universitário Senac, ressaltou que nós já bebemos água do Tietê. Para ele, é importante que se tenha uma grande mudança, e que seja rápida. “Não sei quanto podemos esperar. Precisamos de mais especialistas, mais atores sociais, a questão requer muito mais do que especialista em canos”, afirmou.

Marcelo Morgado, engenheiro químico e ex-assessor de meio ambiente da Sabesp, defendeu maior uso de água de reuso e indagou: “Por quê usar água potável para lavar caminhão de lixo?”. Segundo ele, foi usada água de reuso na construção do estádio Itaquerão. Ele disse que o país ainda tem muitos desafios, como combater as perdas de água e reduzir o consumo por habitante. A média brasileira é de 167 litros de água por dia, por pessoa. No Sudeste, porém, esse número sobe para 194 litros. “A ONU recomenda 110 litros por pessoa”, informou.

Mauro Arce, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, opinou que o “não podemos deixar de usar a água do Tietê”. “Itu não usa água do Tietê porque ainda não tem condições. Vai ter de decretar calamidade pública por falta de água e o rio está passando lá”, disse. Ele reforçou que a possibilidade de reuso é muito grande. “Para se manter os trens do metrô limpos, por exemplo, usa-se água de reuso”, afirmou.

Para ele, um dos desafios é a questão da poluição difusa. “Qualquer coisa que jogar na Avenida Paulista vai parar no Tietê.”

A mediadora do debate foi Paulina Chamorro, editora e apresentadora das rádios Eldorado e Estadão.

Antes de iniciar a mesa-redonda, Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas, mostrou os dados do monitoramento da qualidade da água do Tietê, realizado por 95 grupos voluntários da SOS Mata Atlântica. A mancha de poluição reduziu de 243 km em 2010 para 71 km neste ano. Confira aqui a apresentação.

Sem rios mortos

Durante a mesa-redonda, a SOS Mata Atlântica destacou sua proposta de alterar a legislação para acabar com a classe 4 dos rios, que permite a figura do rio morto – como o Tietê quando passa pela capital. Esta é uma das 14 metas da carta Desenvolvimento para Sempre: uma agenda aos candidatos às eleições 2014, elaborada pela Fundação.

Novamente, a adesão à ideia foi grande. Samuel afirmou que a The Nature Conservancy (TNC) apoiou a iniciativa. “Esta pauta vem num momento oportuno e ela vai além do período eleitoral. Rios mortos a gente não aceita mais”, afirmou.

Morgado e Rocha também aprovaram a proposta. Paulina lembrou que, recentemente, tivemos uma boa notícia com o rio Jundiaí e a ideia de despoluir um rio e usá-lo para abastecimento público deixou de ser um sonho em São Paulo. “Após 30 anos e uma série de obras de coleta e tratamento de esgoto, um trecho desse rio, entre as cidades de Itupeva e Indaiatuba, evoluiu do pior nível de poluição e agora poderá ser tratado para encher a caixa d’água de moradores na região de Campinas. Na semana passada, o Conselho Estadual de Recursos Hídricos aprovou o reenquadramento de um trecho de 25 km para classe 3, no qual o abastecimento humano é permitido após tratamento convencional ou avançado. Antes, o rio nesse trecho era considerado classe 4, o mesmo enquadramento do rio Tietê”, contou.

Para o secretário Mauro Arce, a tarefa não será tão simples e pode levar tempo. “Vai exigir um esforço imenso, mas a proposta é instigante. Dificilmente conseguimos fazer isso num curto intervalo de tempo. É um desafio imenso e não basta ter recursos financeiros, precisa ter parceria da sociedade, educação ambiental e empenho dos habitantes”, disse.

Crédito das fotos: Cris Porcelli/SOS Mata Atlântica


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