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Natureza: é preciso ver para valorizar

4 de março de 2015

Artigo de Marcia Hirota, Kelly De Marchi e Patricia Ferreti*, originalmente publicado no Blog do Planeta – Todo mundo já ouviu falar de aquecimento global, de excessos de chuva em algumas regiões e secas em outras, de frios rigorosos e calor escaldante, entre outros acontecimentos que, de certa forma, nos fazem perceber que o planeta está mudando, mesmo que não necessariamente nos preocupemos em entender o porquê.

“O que os olhos não veem o coração não sente”, diz o provérbio repetido pela sabedoria popular. Da mesma forma, a nossa relação com a natureza muitas vezes passa despercebida por não a enxergarmos diante de tantos prédios e muros que nos cercam. Imaginando que o céu é o limite, muitas vezes só conseguimos enxergar mesmo o céu e, por não sentirmos a natureza presente, não percebemos os benefícios que ela nos traz.

Nos protegemos do sol à sombra de uma árvore, mas muitas vezes não percebemos a árvore. Abrimos a torneira repetidas vezes, mas não nos perguntamos de onde vem a água e como ela chega até ali. Nesse sentido, a crise de água que atinge várias regiões do país tem contribuído, apesar da forma trágica, para a percepção do quanto dependemos dos serviços ambientais prestados pela natureza. Para termos água em quantidade e qualidade, precisamos proteger com as florestas os rios, nascentes e mananciais que abastecem os reservatórios. E para protegê-los, é necessário entender que ambientes naturais conservados e saudáveis são fundamentais para garantir a qualidade de vida e o bem-estar de todos. Ter a percepção de que estamos cercados e fazemos parte da natureza nos aproxima cada vez mais dela.

Muitos acreditam que a Mata Atlântica está presente somente nos remanescentes florestais distantes dos locais onde vivem, sem notar que mesmo as áreas urbanas já bastante modificadas pela ação humana fazem parte do bioma. Mais de 145 milhões de pessoas, o equivalente a 72% da população brasileira, vivem em cidades da Mata Atlântica. No entanto, e principalmente para quem está nos grandes centros urbanos, a percepção em relação à natureza deixa de ser diária e passa a ser algo específico e prazeroso a ser desfrutado nos finais de semana com passeios nos parques, praças ou viagens.

A educação ambiental vem com a premissa de fazer com que as pessoas e a comunidade tomem consciência do meio ambiente e adquiram os conhecimentos, valores, habilidades e experiências para agir, individual e coletivamente, para resolver problemas ambientais presentes e futuros. Isto porque uma nova visão de mundo está ganhando cada vez mais espaço entre as pessoas que estão em busca da melhoria da qualidade de vida e da formação de um novo estilo, em que o consumo consciente prevalece em relação ao desperdício dos recursos naturais e da degradação ambiental.

Cabe a todos participar desse processo de transformação da sociedade atual em uma sociedade sustentável, centrado no exercício responsável da cidadania, que considere a natureza como um bem comum, leve em conta a capacidade de regeneração dos recursos materiais, promova a distribuição equitativa da riqueza gerada e lute por condições dignas de vida para as gerações atuais e futuras. Para que isso ocorra, é preciso formar humanos conscientes, críticos e éticos, aptos portanto a enfrentar esse novo paradigma.

A Fundação SOS Mata Atlântica realiza ações de educação ambiental e mobilização que buscam contribuir com esse processo, como é o caso da exposição itinerante “A Mata Atlântica é aqui”, que já passou por 177 cidades sensibilizando um público de 815 mil pessoas, e o projeto “Aprendendo com a Mata Atlântica”, que ocorre no Centro de Experimentos Florestais da instituição, em Itu, interior de São Paulo, e recebe durante todo o ano grupos de estudantes para atividades de vivência na natureza.

Claro que além da educação informal, como os exemplos promovidos pela SOS Mata Atlântica, se faz necessário o trabalho de educação ambiental no âmbito escolar. No Brasil, temos a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) que dispõe sobre a educação ambiental e determina que ela deve ser desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal.

Infelizmente, sabemos que na prática a aplicação da educação ambiental no ensino formal está mais relacionada ao interesse do professor pelo tema e que a grande maioria das escolas só trabalham a matéria em datas pontuais, como o Dia da Árvore (21/9) e do Meio Ambiente (5/6), o que precisa mudar.

Em linhas gerais, a educação ambiental se faz necessária para levar a população à reconhecer que nossa maior riqueza é a natureza, e que ao destruí-la estamos destruindo a nós mesmos. Claro que não conseguiremos nos tornar totalmente sustentáveis da noite para o dia, mas podemos buscar mudanças nas atitudes diárias, que apesar de parecerem pequenas, quando somadas com as ações de milhões de habitantes que o planeta possui fazem uma enorme diferença.

Você também pode diminuir o impacto que causa no ambiente adotando atitudes como tomar um banho mais rápido, escovar os dentes com a torneira fechada, usar meio de transporte que polua menos, não jogar lixo no chão, separar os materiais recicláveis, entre outros. Informações e conhecimento nós já temos à disposição, precisamos agora mudar nossos valores, e isto só acontecerá por meio da educação e sensibilização. Apenas assim abriremos nossos olhos para valorizar a natureza que nos cerca.

*Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica; Kelly de Marchi e Patrícia Ferreti são coordenadoras dos projetos de educação ambiental da organização.

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