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Cuidados ao realizar um mutirão de limpeza em praias atingidas pelo óleo

21 de outubro de 2019

Uso de equipamento de proteção individual, correto armazenamento do material e evitar banho em praias afetadas estão entre os principais cuidados

 

Mais uma vez o Brasil passa por um grave crime ambiental. Desde o final de agosto, manchas de óleo atingem praias brasileiras, já chegando a mais de 200 pontos em 77 municípios dos nove estados nordestinos, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Destes, oito são abrangidos pelo bioma da Mata Atlântica.

Entre estes locais estão praias paradisíacas, como Praia do Forte (BA) e Pipa (RN), além de Maragogi (AL) e Praia dos Carneiros (PE), localizadas na maior Unidade de Conservação (UC) federal marinha costeira do Brasil, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais. Já são, pelo menos, 15 UCs atingidas pela mancha. Além disso, até domingo (20) eram contabilizados 39 animais afetados e 2.814 filhotes de tartarugas marinhas capturadas preventivamente, além de comprometer toda vida costeira e marinha.

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A APA Costa dos Corais é uma das Unidades de Conservação beneficiadas pela Fundação SOS Mata Atlântica com apoio da Fundação Toyota do Brasil. “Estamos acompanhando a situação local com nossos parceiros locais e especialistas, apoiando algumas ações de limpeza dos animais oleados. Essa região é marcada pela presença de recifes de corais e manguezais, garantindo uma alta biodiversidade representada por diversos grupos marinhos como algas, corais, peixes, crustáceos, moluscos, mamíferos aquáticos e outros, e ainda inclui a ocorrência de espécies ameaçadas de extinção como o peixe-boi marinho, tartarugas e baleias. Tudo isso está em risco, inclusive a população e as atividades locais“, afirma Camila Keiko Takahashi, bióloga e coordenadora do projeto Toyota APA Costa dos Corais.

Diante deste cenário e da lentidão do governo federal em saber a quantidade, origem, local exato do vazamento e futuras medidas efetivas para conter o avanço da mancha, mutirões de limpeza estão sendo organizados para retirar o petróleo cru que atinge a costa brasileira.“A iniciativa e envolvimento de voluntários em todo o Brasil nas áreas costeiras é muito bem-vinda, mas é importante ter alguns cuidados para não se colocar em risco“, afirma Diego Igawa Martinez, biólogo e coordenador de projetos marinhos da Fundação SOS Mata Atlântica.

Para Ícaro Moreira, professor e pesquisador do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o óleo traz substâncias perigosas e que podem trazer riscos à saúde humana, fazendo com que deva ser evitado o contato com a pele. Ele pode gerar alergias ou até, dependendo da absorção da pele, entrar na corrente sanguínea e trazer danos. Em casos mais severos pode inclusive levar ao câncer.

“Estou vendo em campo muita gente engajada em ajudar a limpar as praias, mas é importante que as pessoas que querem ajudar verifiquem se de fato têm os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. Estou vendo algumas pessoas fazendo essas ações descalças e tirando fotos com a mão e pés sujos de petróleo. Isso não pode acontecer. É importante usar traje de limpeza e não de banho“, afirma ele.

 Veja materiais importantes que devem ser usados e recomendações:

–        Uso de máscaras (principalmente no horário do início da tarde, quando é mais quente, pois no contato com sol o óleo libera vapores altamente tóxicos)

–        Luvas de PVC (não usar luvas cirúrgicas)

–        Botas (plástico ou outro material impermeável). Não usar tênis, bota de trilha nem ir descalço

–        Usar calças (não usar traje de banho). Se sujar a roupa, ela deve ser descartada

–        Carro de mão para armazenar o material retirado

–        Pás adequadas (de plástico ou inox)

–        Armazenar o material em tambores, bombonas ou  tonéis e deixar o material fechado, pois trata-se de material inflamável (não usar saco de lixo de plástico, pois o óleo pode rasgar os sacos). A destinação deve ser definida pelo Ibama e cabe ao município cumprir

–        Ao ver um animal afetado pelo óleo, não o devolva para o mar nem tente fazer procedimento, a não ser uma manobra de emergência para retirar o óleo de vias respiratórias. É importante manter o animal na sombra e hidratado. Procure especialistas, órgãos ambientais ou organizações que podem realizar os procedimentos adequados

–        É complicado retirar o óleo de rochas. Evite subir nestes locais que podem ocasionar quedas. Uma forma de limpar é com jato de água quente, pois é necessário muita força para conseguir extrair o material. Quando o material escoar, use material absorvente, como tecidos ou até biofibras, como fibra de coco que se aderem ao óleo

–        Em situações que o óleo esteja mais fluido, é possível usar materiais absorventes, como tecidos e também fibra de coco.

Segundo o especialista em petróleo e meio ambiente, a resposta das autoridades ainda está voltada para se descobrir a causa e os culpados pelo vazamento, o que é algo importante, mas o combate ao derramamento ainda demonstra falta de preparo. O Ibama pediu apoio à Petrobras para atuar na limpeza de praias. A empresa está capacitando e contratando agentes comunitários, pessoas das comunidades locais para serviços de limpeza, mas o número efetivo de mão-de-obra dependerá da quantidade de pessoas treinadas disponíveis nas áreas afetadas.

“O Ibama tem feito a ação importante de monitorar e dar suporte aos municípios, mas de fato tem ocorrido as ações em proatividade dos municípios, principalmente de voluntários. Não parece existir uma resposta organizada no nível federal. É importante ter um acompanhamento e combate ao avanço da mancha. Algumas pessoas têm questionado o uso de barreiras de contenção pelo tipo de petróleo, mas elas ajudam a minimizar os impactos“, destaca ele.

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Foto: Clemente Coelho Jr/Instituto Bioma Brasil


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