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Esporte olímpico tem nova área aberta para prática dentro de Unidade de Conservação (UC)

Graças a projeto socioambiental, escalada em rocha é realizada na Floresta Nacional de Ipanema

24 de setembro de 2020

A Fundação SOS Mata Atlântica e a Repsol Sinopec Brasil apresentam os resultados dos projetos apoiados por edital de 2019, que teve como objetivo colaborar com o aumento do engajamento e presença da sociedade em Unidades de Conservação (UCs) públicas e privadas da Mata Atlântica e seus ambientes marinhos. As iniciativas selecionadas receberam, ao todo, R$ 300 mil, e realizaram atividades de pesquisa, voluntariado, qualificação de jovens, protagonismo feminino, observação de aves, ciência cidadã, entre outras. Foram 10 iniciativas apoiadas, entre elas o projeto “Programa de Abertura de Escalada em Rocha“, em Iperó (SP).

Foto: Thiago “Palito”

O projeto teve como objetivo realizar a abertura de uma nova atividade de uso público voltada a prática da escalada em rocha em local desprovido desta frente, mas com muita demanda reprimida. A escalada em rocha é hoje um esporte olímpico e a abertura desta atividade auxilia em diversas frentes: fortalecimento do esporte, aumento na visitação pública da Unidade de Conservação (UC), geração de renda local e aumento no contato com a natureza.

Entre as principais conquistas do projeto, está a abertura sustentável da atividade,

Foto: Hiago Ermenegildo

respeitando o espaço do urubu-rei (Sarcoramphus papa), espécie emblemática da região, mas ameaçada de extinção. Para a instalação dos setores de escalada, a equipe do projeto monitorou as atividades dessa epécie na região para que a prática esportiva não conflitasse com os locais usados pelas aves. Foram realizadas doze campanhas entre os meses de fevereiro de 2018 a abril de 2019, obtendo 31 registros do urubu-rei. Com isso, 17 setores de escalada foram destacados, dos quais cinco foram abertos para uso.

Com isso, houve um aumento significativo na visitação e na arrecadação da UC por meio da visitação pública. Em apenas sete meses, a escalada esportiva agregou, na média, 203 visitas por mês na Flona, que fechou 2019 com 50.802 visitas. Isso representa um aumento de 2% quando comparado a 2018 e um incremento de R$ 12 mil à UC. Também foi realizado amplo estudo sobre o meio ambiente onde foi construída a atividade, com base científica e com apoio de universidades federais, as quais auxiliaram na mitigação de quaisquer impactos provenientes do uso público.

Foto: Thiago “Palito”

A Floresta Nacional (Flona) de Ipanema é uma importe Unidade de Conservação (UC) Federal de Uso Sustentável presente região de Iperó. Além de apresentar importante contexto histórico, seus 5 mil hectares abrigam uma rica biodiversidade da Mata Atlântica. Também como polo de turismo sustentável para a mesorregião de Sorocaba e da grande São Paulo, a Flona recebe mais de 40 mil visitantes ao ano, que buscam a UC para diversas finalidades como o turismo ecológico e histórico.

Um dos mecanismos mais efetivos para garantir a continuidade desses benefícios é a criação, manutenção e gestão das Unidades de Conservação (UCs) terrestres ou marinhas e públicas ou privadas. Porém, para garantir a conservação dessas áreas também é importante valorizar a presença e engajamento da sociedade nesses espaços, seja pela participação nos conselhos ou em projetos de pesquisa, educação ambiental ou visitação. Além disso, a Flona de Ipanema tinha a necessidade de expansão de práticas turísticas. Surge a ideia de aproveitar as características rochosas da região e criar um espaço para a prática de escalada.

Moradores e monitores ambientais da região, que atuam na Associação dos Monitores Tupiniquins, foram

Foto: Thiago “Palito”

capacitados em observação de aves e estudos da avifauna. Eles ainda participaram do Curso Básico de Escalada em Rocha, que teve como objetivo inclui-los nas atividades de escalada, além de ampliar a possibilidade de geração de renda por meio da condução desta atividade e proporcionar vivência junto a esta prática.

No decorrer das atividades, algumas histórias marcaram os organizadores do proieto. Moradores do entorno têm estudado a viabilidade de se construir áreas de acampamento, bem como restaurantes no entorno. Além disso, os escaladores possuem como perfil a preservação ambiental, auxiliando em sua manutenção.

“O local é incrível para a escalada, de primeiro mundo. Quem se beneficiou disto foi toda a comunidade de escalada, moradores do entorno, a Unidade de Conservação e o meio ambiente. Sem o edital não seria possível envolver a comunidade e estruturar a atividade na região, auxiliando, principalmente, a preservação local“, afirma Pietro Scarascia, montanhista, coordenador e responsável técnico do projeto.

A iniciativa ainda realizou trabalhos para criação de trilhas de acesso com estruturação adequada e vias de escalada conquistadas, exposição fotográfica, eventos e divulgação na região.

Foto destaque: Thiago “Palito”

Crédito: Fundação SOS Mata Atlântica

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