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56% da área urbana do Brasil está na Mata Atlântica

17 de agosto de 2018

Projeto MapBiomas mapeia três décadas de mudanças na ocupação territorial do Brasil

 Brasília (17 de agosto de 2018) – O projeto MapBiomas lança nesta sexta-feira (17) um conjunto de dados de mapeamento que permite investigar a ocupação territorial de qualquer parte do Brasil, ano a ano, desde 1985. A ferramenta, que possibilita descobrir o que ocorreu no país desde então com uma resolução de 30 metros, é pública, inédita, gratuita e de acesso livre. Os dados estão disponíveis no site www.mapbiomas.org. O seminário de lançamento do estudo, que acontece em Brasília até às 17h30, pode ser acompanhado ao vivo no YouTube.

“Essa é a mais longa série de dados sobre cobertura e uso da terra já levantada para o Brasil, algo jamais feito em qualquer outro país”, diz Tasso Azevedo, do Observatório do Clima – coalização responsável pela iniciativa – e coordenador do projeto que envolve parceiros de 34 instituições.

O projeto MapBiomas nasceu em 2015, a partir de um seminário que reuniu pesquisadores convidados pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) para discutir um problema. Como o país só tinha dados confiáveis para monitorar emissões por desmatamento e outras mudanças de uso da terra na Amazônia, os parceiros da iniciativa concordaram em unir esforços para conseguir abarcar os outros cinco biomas do país: Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa.

A Fundação SOS Mata Atlântica é parceria da iniciativa, oferecendo dados do Atlas da Mata Atlântica, monitoramento realizado pela ONG em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e com execução técnica da Arcplan.

O projeto permitiu constatar com alta precisão diversas mudanças no período 1985-2017:

  • Evolução anual da cobertura e uso da terra no Brasil  Fonte: MapBiomas
    Evolução anual da cobertura e uso da terra no Brasil
    Fonte: MapBiomas

    Brasil teve perda líquida de 71 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a SP, PR, RJ e ES somados.

  • A área de agricultura quase triplicou neste período (cresceu 2,9 vezes), e a área de pecuária cresceu 43%.
  • A Mata Atlântica, bioma com 56% da área urbana do país, perdeu 5 milhões de hectares de floresta; mas nos últimos 10 anos a regeneração superou o desmate.
  • O bioma que perdeu a maior proporção de sua área de vegetação nativa foi o Cerrado, com 18% de perda líquida.
  • A Amazônia perdeu a maior área de floresta no mesmo período.
  • Outros biomas tiveram também significativas: Pampa (-15%), Caatinga (-8%) e Pantanal (-7%).

Mata Atlântica perdeu 5 milhões de hectares nas últimas três décadas

Evolução anual da cobertura e uso da terra na Mata Atlântica Fonte: MapBiomas
Evolução anual da cobertura e uso da terra na Mata Atlântica
Fonte: MapBiomas

Os dados do MapBiomas apontam que 56% da área urbana do Brasil está na Mata Atlântica, bioma que perdeu 5 milhões de hectares de floresta. Por outro lado, nos últimos 10 anos a regeneração superou o desmate.

Em São Paulo, por exemplo, já com grandes extensões de terra desmatadas nos anos 1980, o crescimento da agricultura nos últimos 20 anos – especialmente a cultura da Cana de Açúcar – se deu sobre áreas de pastagens. Destas áreas, as que restaram tiveram aumento de produtividade em vez de avançar sobre áreas de floresta. Como consequência, na última década a taxa de recuperação da Mata Atlântica em alguns estados já supera os desmatamentos e a cobertura florestal já começou a crescer. Nos últimos 10 anos, São Paulo ganhou 130 mil hectares de florestas que estão se regenerando.

O MapBiomas é um levantamento complementar ao Atlas da Mata Atlântica e, portanto, os estudos estão alinhados. No último período analisado (2016-2017) pelo Atlas da Mata Atlântica, por exemplo, o desmatamento no bioma teve o menor valor total da série histórica do monitoramento desde 1985, com 12.562 hectares desmatados, 56,8% em relação ao período anterior (2015-2016).

“O desafio continua, pois pouco resta desta floresta – apenas 12,4%, se considerarmos áreas em torno de 3 hectares. O que podemos dizer é que é possível diminuir o ritmo ainda mais, chegando ao nível de desmatamento zero, como já é o caso de sete estados, entre eles, São Paulo, que no último período desmatou 90 hectares. Esta é uma das metas que vamos buscar com o próximo governo”, destaca Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica e coordenadora do Atlas da Mata Atlântica.

Os dados apresentados por estudos como o MapBiomas e o Atlas da Mata Atlântica podem ser usados por municípios para, por exemplo, montar seus Planos de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica e a expansão da infraestrutura urbana; os estados podem aplicar os dados para o zoneamento ecológico-econômico; gestores de Unidades de Conservação (UCs) podem usar os dados como base para desenhar novas UCs e seus planos de manejo, entre outros. A Fiocruz, que estuda a relação das mudanças de uso do solo com a dispersão de doenças como febre amarela e malária, é um exemplo de uso do MapBiomas.

“Precisamos do compromisso de todos para que o desmatamento reduza ainda mais. Compromisso de empresas, governos e sociedade civil, pois é uma questão de estratégia nacional. Temos cobrado isso dos candidatos e candidatas às eleições de 2018. Lançamos recentemente nossa carta Desenvolvimento para Sempre que, entre outros temas, trata do desmatamento zero e da garantia das condições orçamentárias e técnicas para que ao menos 30% do território de cada estado da Mata Atlântica tenha seu Plano Municipal da Mata Atlântica, o principal instrumento da Lei da Mata Atlântica – única a proteger um bioma brasileiro”, reforça Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

EQUIPE MAPBIOMAS
COORDENAÇÃO GERAL:
Tasso Azevedo (Observatório do Clima)

COORDENAÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA:
Carlos Souza Jr. (Imazon)

COORDENAÇÃO DOS BIOMAS:
• Amazônia – Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
• Caatinga – Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Associação Plantas do Nordeste
• Cerrado – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
• Mata Atlântica – Fundação SOS Mata Atlântica e ArcPlan
• Pampa – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
• Pantanal – Instituto SOS Pantanal e ArcPlan

COORDENAÇÃO DOS TEMAS TRANSVERSAIS:

• Pastagem – Universidade Federal de Goiás (LAPIG/UFG)
• Agricultura – Agrosatélite
• Zona costeira e mineração – Instituto Tecnológico

PARCEIROS DE TECNOLOGIA:
• Google
• EcoStage
• Terras

FINANCIAMENTO:

• Iniciativa Internacional de Clima e Florestas da Noruega (NICFI)
• Gordon & Betty Moore Foundation
• Instituto Arapyaú
• Climate and Land Use Alliance (CLUA)
• Good Energies Foundation
• Instituto Clima e Sociedade (ICS)

APOIO INSTITUCIONAL:
• WRI Brasil
• Fundação AVINA
• The Nature Conservancy (TNC)
• Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS)
• Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura
• WWF Brasil

PARCERIA TÉCNICA:

• Instituto e Energia e Meio Ambiente (IEMA)
• Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora)

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