Notícias
Se mantenha informado sobre nossas ações
marco tanaka
  j \d\e F \d\e Y  

Restauração é a chave para produção de alimentos na Mata Atlântica

Diálogo entre ambientalistas e produtores indica soluções conjuntas na conservação 

23 de maio de 2021

A questão é menos onde chegar e mais com qual velocidade se pretende avançar nas práticas de uma agropecuária sustentável e na restauração do bioma Mata Atlântica. Caminhos a favor da produção de alimentos e da conservação ambiental, baseados na ciência e no diálogo, estiveram no centro das discussões do webinar “Produção de Alimentos, Clima e Mata Atlântica”, mais um evento da série “Mata Atlântica em Debate”. O encontro teve a moderação do jornalista Marcelo Leite, colunista da Folha de S.Paulo e conselheiro da Fundação.   

 “O bioma Mata Atlântica ainda é o mais importante para a produção agropecuária brasileira” afirma Luís Fernando Guedes Pinto, diretor de conhecimento da SOS Mata Atlântica. Segundo ele, um grande recado a ser dado é o da importância de reaproximar a produção de alimentos da biodiversidade da floresta.  

“A reversão do processo de desmatamento e a restauração da Mata Atlântica vão trazer vantagens econômicas, sociais e ambientais. A restauração interessa muito à agropecuária, ela não gera impacto nenhum para as atividades do setor, muito pelo contrário”, afirma Guedes Pinto. 

Do lado dos produtores, a socióloga e pecuarista Teresa Vendramini, primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), concorda que o agronegócio brasileiro tem alguns desafios pela frente na área ambiental, mas ressaltou os avanços tecnológicos e do ganho de produtividade dos últimos anos.  

“É um caminho. Não tenho dúvida que é um caminho que estamos trilhando. Tem muita gente que tem que se adequar e comprar essa ideia. Mas grande parte já entendeu e está trabalhando nisso. Essa ideia [da conservação ambiental] já existe muito forte. O produtor rural já introjetou a preocupação de não desmatar e não destruir”, afirma a dirigente da SRB.  

Ao aceitar o convite para participar do evento da SOS Mata Atlântica, Teresa ressaltou a importância do diálogo para enfrentar os problemas do país. “É assim que gosto de ser, gosto de estar com as pessoas. Tenho que conversar com todos nesse mundo inteiro. Interagir mesmo”, salientou. 

 

Veja a íntegra do debate: Produção de Alimentos, Clima e Mata Atlântica 

 

Ao defender uma transição para a agricultura 4.0, que combina tecnologia e técnicas de baixo carbono a favor da produção com qualidade e eficiência, Teresa também lembrou que existem atualmente no país 180 milhões de pastagens nativas ou plantadas com algum grau de degradação. “Por isso, temos que pensar no Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) para enfrentar esses desafios”, afirmou a presidente da SRB.  

Outro grande gargalo do setor, segundo Teresa, é conseguir fazer de forma efetiva a inclusão dos pequenos produtores no jogo. “80% dos produtores rurais do Brasil são pequenos. E, dentro desse grupo, 70% têm apenas o ensino fundamental. Precisamos principalmente de capacitação para eles”, disse Teresa. Segundo ela, questões como saneamento, conectividade e crédito são outros pontos importantes, além da questão da sucessão familiar. A representante dos produtores rurais também fez um discurso claro contra o que ela classificou de ilegalidades. “Me coloco contra qualquer coisa que envolva grilagem, desmatamento, garimpo e madeira ilegal.” 

Emissões da pecuária 

A agrônoma Marina Piatto, secretária-executiva do Imaflora, adiantou alguns dados sobre emissões de gases de efeito estufa na Mata Atlântica que será publicado em breve. Segundo ela, em termos nacionais, a agropecuária responde por 28% das emissões de gasesestufa. Desse total, 7% das emissões são provenientes de atividades de produção dentro do bioma Mata Atlântica. Um dos problemas que mais cresceu nas últimas duas décadas, segundo Marina, é a emissão por causa do uso maciço de adubos nitrogenados. “Houve uma grande verticalização da produtividade do setor agrícola”, diz. 

Do lado da solução, com o objetivo de conciliar produção e conservação, Marina citou os casos das fazendas com certificação florestal que existem dentro da Mata Atlântica. “Nas áreas com a certificação FSC (Forest Stewardship Councilno Brasil, as fazendas continuam mantendo 40% da área total da propriedade conservada. Essas muitas áreas dentro da Mata Atlântica que estão atendendo o Código Florestal podem ser exemplos para outros biomas”, afirma a executiva do Imaflora, que também trabalha com certificação de florestas. 

Se produtores rurais e cientistas da área ambiental concordam com a necessidade de buscarem caminhos que levem à conservação, a situação tende a ficar mais dramática quando a questão climática entra na equação. Mesmo porque, com as ameaças do aquecimento global, o senso de urgência aumenta, e muito.  

“Por causa exatamente dessa situação que estamos, de emergência climática, temos que agir agora. Meu receio é que não dê tempo de chegarmos à agricultura 4.0”, afirma Marina, do Imaflora. 

De acordo com Guedes Pinto, que lembrou que é na Mata Atlântica – onde existe muito da agricultura agroecológica, da produção familiar e do cultivo periurbanoacentuado na pandemia –, as mudanças climáticas devem atingir em cheio a produção de alimentos no bioma.  

“O aquecimento global pode afetar toda a produtividade desses arranjos. A solução, para que serviços ecossistêmicos como a polinização e a preservação da água sejam mantidos, passa pela restauração da Mata Atlântica e pela reversão do processo de desmatamento da Amazônia”, disse 

Segundo ele, existem entre 4 milhões e 5 milhões de hectares que precisam ser reconstituídos. “Não há dúvida de que a restauração é o grande caminho”, afirma. 

 

 

COMPARTILHE

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não utilizaremos suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.