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Tijuco Alto: um final feliz para a Mata Atlântica

8 de novembro de 2016

O Ibama negou o pedido de licença para hidrelétrica de Tijuco Alto, o que, na prática, encerra o processo.

Desde o final da década de 1980, um projeto para a construção da usina hidrelétrica de Tijuco Alto no Rio Ribeira do Iguape, no Vale do Ribeira, mobiliza a sociedade em defesa do maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país, nos limites dos Estados de São Paulo e Paraná. O projeto da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, previa a inundação de uma área considerada de prioridade extremamente alta para a conservação da biodiversidade para dar lugar à construção de uma barragem.

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, que teve acesso ao parecer de cinco páginas, assinado por Rose Hofmann e Suely Araújo, respectivamente diretora de licenciamento e presidente do Ibama, a licença prévia foi negada baseada na inviabilidade ambiental do empreendimento.

O documento afirma que a capacidade de geração de energia da usina, de 144 megawatts (MW) – que seria utilizada para o abastecimento do complexo metalúrgico – é pouco efetiva em virtude da perspectiva de alto impacto ambiental, em área inserida integralmente no bioma Mata Atlântica. O parecer indica ainda que foram encontradas 43 espécies de flora com algum grau de ameaça e que o reservatório atingiria duas grutas, terras com sítios arqueológicos relevantes e áreas habitadas por comunidades tradicionais e quilombolas.

As consequências negativas que a instalação da usina traria à região sempre foram o foco da resistência organizada do movimento ambientalista, que combateu de perto a construção da hidrelétrica. A Fundação SOS Mata Atlântica, por exemplo, participou de todas as audiências públicas do processo de licenciamento e realizou, no ano de 2006, uma expedição pelo Ribeira do Iguape para analisar a qualidade da água do rio e o impacto da contaminação de chumbo já existente na bacia, o que evidenciou, em relatório técnico que foi inserido nos autos do processo, que a água que abastece a região seria ainda mais prejudicada caso a hidrelétrica fosse implementada.

Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, o parecer do Ibama significa uma importante vitória da sociedade na defesa da Mata Atlântica e dos grandes rios do bioma, além de destacar o papel estratégico do licenciamento ambiental, um instrumento que assegura a vida e garante a ordem social. “Vivemos um momento em que segmentos do setor econômico buscam fragilizar o licenciamento ambiental no Congresso Nacional, com diversas propostas de alteração da legislação.  O caso de Tijuco Alto deve servir de exemplo para mobilizar a sociedade na defesa do licenciamento. Ao invés de retrocessos, precisamos lutar por um licenciamento moderno, que defenda o meio ambiente e a sociedade, e seja um instrumento arrojado de planejamento e de ganho para o desenvolvimento socioambiental no país”, conclui.

 

Histórico

O licenciamento ambiental da usina de Tijuco Alto foi iniciado em 1989, junto aos órgãos estaduais de meio ambiente de São Paulo e Paraná, que acabaram expedindo licencias prévias. Posteriormente, o Ministério Público interpretou ações judiciais suspendendo seus efeitos.

A SOS Mata Atlântica, junto ao Instituto Socioambiental e a Rede de ONGs da Mata Atlântica, entre outras organizações, foi uma das autoras que liderou o processo contra a aprovação da obra em 1994 no Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (CONSEMA). Quando, apesar dos pareceres contrários, o projeto foi aprovado, a Fundação participou da luta para que a análise fosse feita em nível federal, já que o Ribeira do Iguape corta dois Estados, o que levou o processo ao Ibama.

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