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Turismo de mergulho pode gerar benefício econômico para Alcatrazes

Pesquisa do LABECMar-Unifesp em parceria com a FapUnifesp, apoiada pela SOS Mata Atlântica, traz insumos para melhorar gestão e turismo em Alcatrazes

14 de setembro de 2020

Mergulhadores afirmam poder contribuir financeiramente para a área protegida

A Fundação SOS Mata Atlântica e a Repsol Sinopec Brasil apresentam os resultados dos projetos apoiados por edital em 2019, que teve como objetivo colaborar para o aumento do engajamento e presença da sociedade em Unidades de Conservação (UCs).

As iniciativas selecionadas receberam, ao todo, R$ 300 mil, e realizaram atividades de pesquisa, voluntariado, qualificação de jovens, protagonismo feminino, observação de aves, ciência cidadã, entre outras. Foram 10 iniciativas apoiadas, entre elas o projeto Análise do Perfil Socioeconômico e Experiência dos Visitantes no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes: contribuições à gestão do uso público 

A iniciativa é do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal de São Paulo (LABECMar-Unifesp), por meio da Fundação de Apoio à Unifesp (FapUnifesp). O trabalho de pesquisa fez parte da dissertação da bióloga e mestre em biodiversidade e ecologia marinha Marina Marconi, autora do estudo publicado na revista Ocean & Coastal Management em conjunto com outros pesquisadores do laboratório em agosto de 2020.

A pesquisa também recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para a avaliação em outras duas áreas no litoral paulista (Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e a Ilha da Queimada Grande), que integram a análise do artigo científico. 

Refúgio de Alcatrazes é a maior UC de proteção integral marinha no litoral Sul e Sudeste do Brasil, possui 674 km² e protege espécies ameaçadas, endêmicas e migratórias no litoral norte do Estado de São Paulo. A beleza da região e suas águas, com boa visibilidade e grande quantidade de vida marinha, são um convite ao mergulho contemplativo. 

As UCs, além de preservarem a biodiversidade, também trazem diversos benefícios para o bem-estar humano. Porém, a avaliação e gestão da experiência e satisfação dos visitantes ainda é uma grande lacuna de conhecimento. 

Para inserir esse tipo de indicador no manejo da UC, foram entrevistados 214 mergulhadores que visitaram o Refúgio de Alcatrazes. A predominância foi de visitantes do sexo masculino (71%) com idades entre 36 e 45 anos (40,5%), seguido por aqueles entre 26 e 35 anos (25%). 

Entre os principais resultadosestá o fato de que o impacto econômico do mergulho recreativo durante o período avaliado (dezembro/2018 a maio/2019), em um cenário otimista, foi de cerca de R$1.860.419,00 e, em um cenário mais conservador, foi de R$1.627.867,00Se consideradas projeções para o impacto econômico anual, em um cenário otimista, esse valor poderia ser de R$4.465.006,08, que representa 0,21% e 0,41% do valor agregado bruto do setor de serviços dos municípios de São Sebastião e Ilhabela, respectivamente.  Além disso, 56% dos mergulhadores afirmaram poder contribuir financeiramente em prol de ações de conservação da área protegida. 

O turismo de mergulho é uma das atividades recreativas que mais crescem no mundo, movimentando uma rica e expressiva cadeia de negócios. Por ser um segmento que depende da qualidade ambiental dos locais onde é praticado, as UCs são os destinos preferidos dos mergulhadores. 

No decorrer da pesquisa, foi possível constatar que a principal motivação dos mergulhadores para visitarem o Refúgio de Alcatrazes é que “O local é uma área onde a natureza é preservada”. Ou seja, eles são motivados principalmente pelo estado de conservação da área. A média das notas de satisfação com a experiência, dadas pelos visitantes para Alcatrazes, foi oito em uma escala de zero a dez, destacando, além da beleza natural, as regras estabelecidas pela gestão para evitar impactos ambientais. 

O projeto ocorreu concomitantemente ao início das atividades de mergulho em Alcatrazes – pouco mais de um ano atrás –, permitindo que os resultados preliminares fossem compartilhados com gestores, operadores e condutores de mergulho. De maneira inédita no setor de mergulho recreativo, o projeto possibilitou uma gestão adaptativa da área protegida baseada em evidências científicas e aprendizados. 

manutenção do monitoramento dos indicadores propostos pelo estudo pode orientar os gestores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a tomarem as melhores decisões em conjunto com a participação da sociedade para equilibrarem continuamente a proteção ambiental e a experiência satisfatória dos visitantes. 

Os recursos do edital foram fundamentais para a realização do projeto, principalmente em tempos de escassez de recursos para a pós-graduação. Com este trabalho, foi possível notar os esforços para o diálogo e construção participativa da normativas de visitação realizados até o momento. Quaisquer retrocessos neste sentido podem comprometer a conservação da biodiversidade, a qualidade do destino e, consequentemente, os níveis de satisfação e bem-estar humano gerados pelo Refúgio de Alcatrazes, afirma Fabio Motta, coordenador do projeto e professor doutor do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (LABECMar), Instituto do Mar, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Crédito: Fundação SOS Mata Atlântica

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