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Voluntariado ambiental foi destaque em 2019

Voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica são exemplo de defensores da causa ambiental

5 de dezembro de 2019

Em 2019, por conta dos desastres ambientais no Brasil, os voluntários brasileiros tiveram papel fundamental para auxiliar famílias, comunidades e recuperar áreas em ações como mutirões de limpeza, plantios e doações para mitigar os impactos de tragédias. Uma delas ocorreu logo no início do ano, em 25 de janeiro – a tragédia da Vale em Brumadinho. Depois disso, o meio ambiente e as pessoas sofreram ainda com o fogo e o desmatamento nas florestas, o óleo no Nordeste e os desafios socioambientais cotidianos no país.

Neste Dia Internacional do Voluntário (05/12), a Fundação SOS Mata Atlântica gostaria de parabenizar todas essas pessoas que lutam pelo bem comum, acima de interesses particulares. Entre eles, os mais de 3.500 voluntários da organização que monitoram a qualidade da água de rios nos 17 estados da Mata Atlântica – muitos deles também realizam suas próprias iniciativas ambientais, como plantios, hortas comunitárias, eventos, recuperação de nascentes. Em 2019, parte destes voluntários da organização também colocaram a mão na massa para garantir a limpeza de praias atingidas pelo óleo no Nordeste. Voluntários de Alagoas, como aqueles que monitoram o rio Coruripe, e da Bahia, que monitoram o rio Trobogy, estão entre os exemplos.

“Parabenizamos a todos pela resistência. Estamos falando de pessoas que não só se mobilizaram este ano, mas que fazem isso há muito tempo. Mais que comemorar este dia, gostaríamos de agradecer a todos pela luta insistente”afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

Conheça as histórias de algumas destas pessoas:

Andrea Pesek, do movimento Ocupe & Abrace, monitora a qualidade da água do Riacho Água Preta e é um exemplo de engajamento por nascentes. Seu despertar para o tema foi quando participou da iniciativa Rios e Ruas e passou a perceber que sob os pés dos paulistanos correm centenas de rios. Depois, descobriu como as hortas comunitárias podem ser soluções para os rios. Com isso, passou a restaurar as nascentes e construir cacimbas de água pura. Com isso, passou a atuar na praça Homero Silva, conhecida como Praça da Nascente, onde o movimento restaura nascentes, cria lagos, atrai biodiversidade e faz festivais. Para ela, cuidar de uma nascente é muito parecido com um parto.

“Quando escavo a terra com as mãos, a água aflora devagarinho, começa a correr e rodopiar na terra, formando córregozinhos, desenhando curvas e refletindo o céu. O trabalho de cuidar de uma nascente é muito parecido com o trabalho de uma parteira”afirma ela.

Outro exemplo de atuação em São Paulo é de Maurício Ramos, vizinho de parede do córrego das Corujas, monitorado por um grupo do projeto Observando os Rios. Começou seu envolvimento em movimentos de bairro visando mais segurança, mas percebeu que meio ambiente, segurança, educação e outros temas caminham juntos. Participou da revitalização deste espaço público que teve a primeira experiência de coleta seletiva na zona oeste de São Paulo. Além disso, o grupo da região tem atuação política constante. Já reuniu diversos bairros para garantir seu perfil residencial no Plano Diretor da cidade de São Paulo, visitou vereadores, sugeriu emendas no plano, entre outras ações.

Ramos é conhecido como guardião das águas, mas não se considera como tal.

“Sou só um morador preocupado com a situação da água. A gente via água potável passando no nosso pé e não tinha água em casa. Você se torna um defensor da causa automaticamente”, afirma ele.

No Rio de Janeiro, Antonio Guedes é exemplo de cidadão impactado pelos problemas causados por enchentes e que decidiu se mobilizar. Ainda aos 11 anos, na década de 1960, presenciou os impactos das grandes chuvas na cidade, que derrubaram o muro de sua casa. Na época, não entendia o motivo daquilo e mais tarde passou a buscar conhecimento sobre as inundações. Hoje, entende que o impacto vem da deficiência técnica e soluções precárias executadas na cidade. Participante do grupo que monitora o rio Carioca, hoje ele é um profundo conhecedor sobre abastecimento de água na cidade, sobre a vazão do rio e busca respostas cotidianamente por parte das autoridades.

“Interessante que talvez os rios sejam vistos pela grande maioria das pessoas como água correndo em um leito. Não existe a percepção de haver vales coletores que os formam. Desta forma, não há a devida cobrança das necessárias boas redes de drenagens, de devidas contenções e principalmente de não serem ocupadas as suas áreas de amortecimento nas cheias, que são de pertencimento de todos”, afirma ele.

No Rio Grande do Sul, duas voluntárias que monitoram a qualidade da água do Arroio Passo Fundo mostram como a vida acadêmica também pode dar um despertar nas pessoas quanto ao tema ambiental. Iolanda Chiumeo encontrou no curso técnico de Meio Ambiente e depois como fiscal técnica nessa área algumas motivações. Em seu dia-a-dia ela passou a observar como o descaso de órgãos públicos e comunidades mexia com ela.

Jéssica Uhlein se envolveu no projeto Observando os Rios devido à graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária na Uniritter, em Porto Alegre. O Arroio Passo Fundo tem extensão aproximada de 24 km e mais de 20 mil pessoas vivendo ao seu redor. Porém, recebe diariamente efluentes industriais, esgoto doméstico, efluentes das lavouras, todos sem tratamento. Para Jéssica, é gratificante lutar por um bem comum, um ambiente onde todos se beneficiam quando está em equilíbrio.

“Por isso lutamos tanto pela qualidade do Arroio Passo Fundo. Dos rios/arroios monitorados pelo projeto Observando os Rios no Rio Grande do Sul, ele é o que tem pior qualidade, em todos aspectos, de qualidade, visuais, sensoriais (cheiro) e equilíbrio ecossistêmico”, afirma ela.

Ainda no Rio Grande do Sul, Marisa Braga, que monitora o Arroio Feitoria em Dois Irmãos, é exemplo de engajamento desde a infância e questionadora dos padrões da sociedade. De origem rural, com família vinda da agricultura, sempre morou perto de áreas verdes até a adolescência, inclusive na proximidade dos rios Cadeia e Caí. Como professora, sempre se envolveu com a temática ambiental e, depois de alguns anos, foi convidada a trabalhar na área de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Portão, em parceira com a Secretaria de Educação. Criou um programa municipal para escolas e comunidade, ajudou a implementar a coleta seletiva no município e ingressou no Comitê de Bacia da região (Comitesinos) e como representante do município no Consórcio Público de Saneamento (PROSINOS).

Mas, diante dos desafios da cidade, como o impacto do uso direto da água do Arroio nas crianças, entendeu que analisar a qualidade da água seria um indicador importante para a cidade. Assim, aproximaram a fala com a prática e eles levam a informação para as famílias. Para Marisa, de tudo que ela faz, mobilizar comunidades, grupos e levar informações necessárias é sua maior paixão.

“Monitorar por monitorar não gera mudança, acreditamos em transferir esse conhecimento por meio de seminários e palestras nas mais diferentes esferas”, afirma ela.

Conheça estes e outros grupos de monitoramento do projeto Observando os Rios.

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