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Durante encontro em Brasília, organizações ambientalistas pedem atenção de parlamentares aos biomas brasileiros
05/09/2018


A Fundação SOS Mata Atlântica, a Frente Parlamentar Ambientalista e organizações ambientalistas realizaram ontem (04) o ato “Desenvolvimento para Sempre – compromissos ambientais prioritários às eleições 2018“. O evento teve como objetivo a apresentação de  propostas para a proteção e uso sustentável das florestas brasileiras e a contribuição de cada bioma para o desenvolvimento do Brasil. O encontro aconteceu no Salão Verde, da Câmara dos Deputados, e contou com representantes de movimentos, como a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e ONGs, como o Instituto Socioambiental (ISA), a Rede Cerrado, a SOS Pantanal e o WWF-Brasil.

Na ocasião, a SOS Mata Atlântica apresentou a carta “Desenvolvimento para Sempre“, com quatro causas prioritárias à conservação da Mata Atlântica: Restauração da Floresta, Valorização dos Parques e Reservas, Água Limpa e Proteção do Mar. No documento, a organização chama a atenção para o fato de que, caso o Brasil insista na dilapidação dos recursos naturais fontes de diversos benefícios à sociedade, inevitavelmente ampliará os impactos negativos na vida das populações urbanas e rurais. Clique aqui e acesse a carta completa.

Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica destacou os diversos desafios e ataques sofridos pela Mata Atlântica, como o mais recente documento “O Futuro é Agro“, do Conselho do Agro, e as constantes prorrogações dos prazos para o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

“Mais uma vez a Lei da Mata Atlântica sofre ataques, sendo chamada de altamente restritiva e que atrapalha o uso racional dos recursos naturais. Não deveríamos mais estar aqui falando disso. Temos que nos atentar a esses movimentos, como as diversas prorrogações do CAR, que só desestimulam e desanimam aqueles proprietários que querem se adequar”, destaca ele.

Os retrocessos ambientais aprovados nos últimos anos e o risco que as florestas brasileiras ainda podem sofrer nos próximos, foram os destaques das falas do evento.

Mauricio Guetta, advogado do Instituto Socioambiental (ISA), apresentou as propostas da ONG nessas eleições, mencionando como ela aborda os retrocessos já vistos pela sociedade, mas também apresenta oportunidades. “O próximo governo irá se deparar com a chegada de algumas metas de redução de desmatamento já em 2020. Estamos aquém disso, mas temos diversas oportunidades para avançar”, reforça ele. Acesse o documento do ISA.

Como cofacilitador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, André Guimarães falou sobre as 28 propostas do movimento aos candidatos às eleições. Veja aqui as propostas deste movimento.

“A Amazônia é o maior ativo que o Brasil tem. Se temos agro pujante é graças à Amazônia que produz água para o Brasil. Preservar a Amazônia é contribuir para todo o Brasil. Independente do próximo governo que vier, temos que entender que haverá um momento de frescor, de pensar em coisas novas e em como reconstruir as agendas positivas. Gostaria de deixar essa mensagem de esperança”, destacou ele.

As ONGs SOS Pantanal e WWF destacaram suas falas pelo bioma pantaneiro. Bruno Taitson, analista sênior de Políticas Públicas do WWF-Brasil, reforçou a necessidade de aproveitar as oportunidades em meio a tanta agenda negativa, destacando dois pontos fundamentais.

“O Pantanal precisa ter sua lei aprovada, que protege o bioma e promove o desenvolvimento sustentável. Estamos falando de um patrimônio nacional segundo nossa Constituição, mas que ainda não é protegido por lei. Outro ponto fundamental é o mecanismo de proteção das cabeceiras, lá estão as nascentes que formam o Pantanal e também precisamos de cuidá-las”, frisou Taitson.

Felipe Augusto Dias, diretor executivo da SOS Pantanal, reforçou que o bioma é um diamante a ser dilapidado, mas de forma sustentável. “Precisamos destacar o uso e a ocupação de forma harmônica, isso não elimina a viabilidade econômica na região”, afirmou.

Durante o evento, a rede Cerrado aproveitou a ocasião para lançar sua publicação “Estratégias políticas para o Cerrado”. Com outras sete organizações, a entidade foi representada por Kátia Favilla, secretária executiva, que apresentou as 27 recomendações em defesa do bioma, seus povos e comunidades tradicionais. Leia o documento.

Dentre as propostas apresentadas, Kátia destacou a necessidade de instalar e garantir as condições de funcionamento do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), assim como reformular o Conselho Nacional do Programa Cerrado Sustentável (Conacer). “Associar a produtividade agrícola e o desenvolvimento socioeconômico responsável do setor, equalizando situações de conflitos com povos indígenas e povos e comunidades tradicionais, incentivando a conservação e apoiando a restauração da vegetação nativa, é fundamental para a saúde e a manutenção dos serviços ecossistêmicos do Bioma a longo prazo”, pontuou.

Diversos deputados participaram do evento, como Chico Alencar (PSOL/RJ), Edmilson Rodrigues (PSOL/PA), Ivan Valente (PSOL/SP), Jean Wyllys (PSOL/RJ), Nilto Tatto (PT/SP), entre outros. Como coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Alessandro Molon (PSB/RJ), lembrou das conquistas dessa parceria entre a sociedade civil e Frente Parlamentar Ambientalista, a única a contar com ONGs em sua estrutura.

“Este ano conseguimos barrar muito projeto negativo. A partir de agora a sociedade quer saber para onde os candidatos vão chutar. Se vão fazer gol pelo meio ambiente ou contra”.

O evento ainda contou com representantes do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama, entre outras organizações.


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