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Presidenciáveis ignoram a conservação da Mata Atlântica e a proteção do mar
04/10/2018


Fundação SOS Mata Atlântica analisa importância dada à agenda ambiental também pelos candidatos ao governo de São Paulo e fez pesquisa com aproximadamente três mil eleitores

Uma análise realizada pela equipe de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica constatou que os programas – protocolados na Justiça Eleitoral – dos 13 candidatos à Presidência da República e dos quatro candidatos melhores colocados nas pesquisas ao Governo do Estado de São Paulo, praticamente ignoram a proteção da Mata Atlântica e do mar. Mesmo que não seja possível identificar excelência em nenhuma das plataformas políticas avaliadas – em termos ambientais –, a grande maioria dedicou maior ou menor espaço à temática ambiental, o que é positivo.

A análise feita pela ONG buscou identificação com os temas levados à público na carta “Desenvolvimento para Sempre“, que pede restauração da floresta, valorização de parques e reservas, água limpa e proteção do mar, todas com foco na conservação do bioma Mata Atlântica. Ou seja, trata-se de um saldo mais quantitativo a partir do cruzamento do diretamente exposto nas propostas de governo com os temas-chave para a Fundação SOS Mata Atlântica. Além disso, em uma pesquisa realizada com três mil eleitores – a partir de sua página no Instagram – a ONG verificou como os programas dos presidenciáveis atendem às demandas da sociedade.

Clique aqui e assista ao vídeo com o resultado da pesquisa com três mil eleitores

A Mata Atlântica é o bioma onde vivem mais de 140 milhões de brasileiros e abriga três dos maiores centros urbanos do continente sul americano. Já o mar brasileiro, sem lei para sua proteção, possui imensa quantidade de vida selvagem e figura entre os principais produtos turísticos do país, atraindo milhões de visitantes nacionais e estrangeiros em seus mais de oito mil quilômetros de costa. Com intensa circulação de embarcações e de outras atividades econômicas, também vê cruzar cardumes de peixes, famílias de baleias e outros seres vivos com os quais compartilhamos o planeta.

Sem essas informações, os eleitores podem carecer de ao menos instrumentos claros de cobrança para ações e políticas voltadas ao bioma que mais brasileiros abriga e que externou graves sintomas de má gestão dos recursos hídricos, a Mata Atlântica, e também dedicadas à valorosa e estratégica região costeiro-marinha, completamente esquecida pelos candidatos e por todas as outras análises conferidas.

“70% da população brasileira vive na Mata Atlântica e dois em cada três pessoas estão nos centros urbanos espalhados ao longo da nossa costa. Desconsiderar esses temas é deixar grande parcela da população desassistida em diversas áreas impactadas pelo meio ambiente“, destaca Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.

Segundo a organização, 75% dos eleitores acreditam que cuidar da recuperação da floresta é cuidar das águas, 10 candidatos demonstram isso. 89% das pessoas dizem que a proteção do mar é responsabilidade do governo, mas nenhum dos candidatos tem propostas concretas para isso – apenas um cita a importância de terem sido criados grandes conjuntos de áreas protegidas marinhas neste ano. Já sobre o tratamento de esgoto, a maioria da população (85%) se mostrou preocupada. Mas apenas cinco candidatos demonstraram ação para o tema. Além disso, 81% dos eleitores destacam que os rios de sua região foram abandonados. 10 candidatos propõem algum tipo de recuperação.

A pesquisa da ONG também comprova a relação entre meio ambiente e o dia-a-dia da população. Enquanto 68% dos eleitores frequentam parques, cinco candidatos vão trabalhar para que o número dessas áreas aumente. A Mata Atlântica abriga 56% da área urbana do país, ou seja, seus parques estão sob influência dos centros urbanos e próximos das pessoas. Desconsiderar este tema é tirar de boa parte da população o direito de ter áreas verdes próximas de onde vivem.

Entre outros temas ambientais trazidos pelos candidatos em seus programas estão desmatamento zero, saneamento e Amazônia. Por outro lado, a crise hídrica e desastres ambientais não são contemplados. Há ainda a citação do licenciamento ambiental e propostas de unificação das pastas de Meio Ambiente e Agricultura.

“Nossa intenção é mostrar a importância da Mata Atlântica para o país e como a questão ambiental deve ser pensada como um todo. Meio Ambiente e sustentabilidade deveriam estar intrínsecas em todas as esferas do governo. Somente assim podemos pensar em desenvolvimento aliado a conservação dos nossos patrimônios naturais e culturais“, destaca Marcia Hirota, diretor-executiva da ONG.

As metas propostas pela organização destacam, entre outros temas: o desmatamento zero; a realização e validação de todos os Cadastros Ambientais Rurais (CAR) no bioma; a criação e fortalecimento dos Parques Nacionais e outras Unidades de Conservação (UCs); o aprimoramento da Política Nacional de Recursos Hídricos – proibindo a existência de rios mortos sem limites de poluentes; e a aprovação e implementação da Lei do Mar. Todas essas metas podem ser plenamente atendidas até 2022, se executadas com transparência e participação de todos os setores da sociedade.

Veja um quadro que exemplifica como os candidatos ao Governo de São Paulo e os presidenciáveis atendem aos temas analisados pela SOS Mata Atlântica. Clique aqui e acesse a íntegra do documento.


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