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14º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável (FITS) promoveu grande troca de experiências no último fim de semana
29/10/2018


Debates sobre o turismo sustentável aliado à conservação dos recursos naturais e o estímulo à cultura de visitação dos parques deram a tônica do evento que reuniu mais de 100 pessoas nesse sábado (20)

 As boas práticas em Unidades de Conservação (UCs) relacionadas à conservação dos recursos naturais e da criação de uma cultura de programas ao ar livre foram os principais pontos das apresentações e painéis que lotaram o auditório do 14º FITS, no último sábado, dentro da Adventure Sports Fair, no Expo São Paulo.

Aproveite e leia a notícia sobre a portaria de criação de sistema de trilhas de longo curso, assinada pelos ministros do Turismo e do Meio Ambiente, na abertura da Adventures Sports Fair

Diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, abriu o encontro lembrando que “a humanidade só evoluiu respeitando a natureza e que essa relação de respeito tem muito a nos ensinar no atual momento que o país atravessa”.

A coordenadora do Fórum, Paula Arantes, que define FITS como “um movimento de resistência“, ressaltou que o evento vem ganhando a cada ano mais relevância por ter se tornado um ponto de fala e de troca de experiências para toda a cadeia produtiva do Turismo Sustentável no país.

De acordo com dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o interesse pelo Turismo Sustentável só cresce. O número de Unidades de Conservação que receberam turistas, por exemplo, subiu de 62 para 102 em 2017, sendo que as que já eram procuradas por visitantes registraram um crescimento de mais de 30% no número de frequentadores.

“A promoção do turismo sustentável é fundamental para garantir a conservação dos destinos e das comunidades do entorno das Unidades de Conservação e das áreas protegidas no país”, destacou o diretor Institucional e de Sustentabilidade do Grupo Cataratas, Fernando Sousa.

Este foi o tom das conversas na parte da tarde, que destacaram a visitação nas áreas protegidas – como a campanha “Um dia no Parque“, que teve seus resultados apresentados durante o evento, o turismo de base comunitária e algumas experiências internacionais sobre uso público em áreas protegidas.

“O número de participantes desta feira mostra como a visitação em áreas protegidas tem potencial ainda maior. A visitação nessas áreas pode promover o contato com a natureza e a formação ética. Somente assim as pessoas passarão a valorizar essas áreas. Nossas crianças, por exemplo, estão cada vez mais confinadas e sem contato com a natureza, o que no futuro pode afastar ainda mais nossa população das áreas verdes. Sem apoio da sociedade não há garantia às Unidades de Conservação“, destacou Erika Guimarães, gerente de Áreas Protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Angela Kuczach, diretora-executiva da Rede Pró UC, que apresentou os resultados da campanha “Um dia no Parque“, reforçou essa mensagem. “Queremos que as pessoas entendam que as áreas protegidas são de todos e que o cidadão entenda para que ela serve. Um parque nacional não é algo distante da nossa casa, pelo contrário, é um lugar para nossa família.“ No dia 22 de julho deste ano, a campanha incentivou as pessoas visitarem uma Unidade de Conservação (UC) próxima de sua casa.

Uma das atividades turísticas que ganha força no Brasil e também teve destaque no FITS é o turismo de base comunitária. Trata-se da oportunidade de ter uma vivência além dos atrativos ambientais, com a troca de conhecimento e experiência com as comunidades locais de diversas partes do país.

“Conhecer um local por sua beleza ambiental é valioso, mas ter uma vivência cultural e histórica é muito mais  interessante“, destacou Thiago Beraldo, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que lançou recentemente a Trilha Chico Mendes, com cerca de 90 km. Além de proporcionar uma bela caminhada na Amazônia, a trilha mostra de perto a realidade de quem vive na reserva, dentre eles seringueiros que lutaram pela criação da reserva junto com Chico Mendes.

A concessão de alguns serviços nas Unidades de Conservação à iniciativa privada e suas oportunidades de negócio relacionadas ao turismo também gerou ótimas discussões. Segundo alguns participantes, há pouco tempo atrás alguns ambientalistas e gestores de UCs eram contra este tipo de prática. Hoje, quase todos dizem que, se feita de forma planejada e respeitando a realidade local, as concessões oferecem diversos benefícios para a conservação ambiental e economia da região.

“Isso é positivo, pois algumas pessoas achavam que as UCs eram um entrave para o desenvolvimento e que não deveriam existir. Outros achavam que elas deveriam ficar fechadas para resguardar a biodiversidade. Existem muitas oportunidade de negócio a partir da visitação destas áreas“, afirmou Mauro Castex, coordenador do Núcleo de Negócios e Parcerias para Sustentabilidade da Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente do estado de São Paulo responsável pela gestão de Unidades de Conservação estaduais.

Por fim, Milagros Ochoa de Koepke, diretora de Turismo do Escritório Comercial do Peru no Brasil, falou da importância que o país dá para esta atividade, segundo principal setor econômico do país. Segundo Milagros, o apoio ao turismo é uma diretriz de governo, que enxergou neste setor uma das soluções para a proteção do meio ambiente. Para ela, o Brasil poderia aproveitar suas características para fazer algo parecido.  Ela destacou o papel do turismo rural comunitário.

“Vocês não têm ideia do que o turismo rural comunitário está fazendo no Peru. As famílias participantes estão muito mais felizes e se desenvolvento economicamente. Estamos falando da inclusão social que gera emprego e cria laços. Isso porque quem realiza este tipo de turismo não vai ao nosso país para fugir, mas para se encontrar“, finalizou ela.

Entre os participantes do FITS estavam representantes da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), da Associação Garupa, da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), do Coletivo MUDA, da Fundação Florestal, do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), do Senac, além das ONGs WWF-Brasil, World Animal Protection, Conservação Internacional (CI-Brasil), Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Instituto EcoBrasil, entre outros.


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