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Fundação SOS Mata Atlântica realiza expedição no rio Paraopeba
31/01/2019


De Brumadinho a Felixlândia, no encontro com o rio São Francisco, serão 356 km de rio percorridos

A Fundação SOS Mata Atlântica iniciou na manhã desta quinta (31), uma expedição pelo rio Paraopeba para entender os impactos ambientais do mar de lama da tragédia que impactou uma área total de 252 hectares, em Brumadinho, além de verificar seu potencial de alcance a outras regiões. Nos próximos dias, a equipe de água da organização, em parceria com o laboratório de Poluição Hídrica da Universidade de São Caetano do Sul, irá analisar a qualidade de água do rio Paraopeba por 356 km, de Brumadinho à Hidroelétrica Retiro Baixo e o reservatório de Três Marias, em Felixlândia (MG).

A expedição teve início no marco zero da tragédia ambiental, em Brumadinho, município que está totalmente inserido na área da lei da Mata Atlântica. A ação conta com apoio da Policontrol, empresa de fornecimento de equipamentos de alta precisão, da Visa e da Ypê.

Roteiro da Expedição Paraopeba, da Fundação SOS Mata Atlântica

Roteiro da Expedição Paraopeba, da Fundação SOS Mata Atlântica

“Queremos fornecer dados concretos para a sociedade sobre como o meio ambiente está se comportando e quais os impactos para a vida das pessoas que vivem na região“, afirma Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica.

Para obter essas informações, a expedição técnica contará com ferramentas de análise do Índice de Qualidade da Água (IQA), estabelecido no Brasil por meio de uma norma legal (CONAMA 357), que contempla o levantamento de indicadores físicos, químicos, biológicos e bacteriológicos. A cada 40 km, uma amostra de água será coletada – serão aproximadamente 20 pontos de análise –, possibilitando resultados em tempo real sobre 14 indicadores, entre eles turbidez, oxigenação, nitrato e fosfato. Outros dados, que demandam tempo de reação maior, como a presença de metais pesados, serão tratados em laboratório e apresentados em alguns dias.

A bacia do rio Paraopeba é formadora e corresponde a 5,14% do território da bacia do rio São Francisco, além de ser um dos principais mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte – desde a tragédia, o Paraopeba está indisponível para qualquer tipo de uso. Este rio tem extensão de 546,5 km, área de 12.054,25 km² e abrange 48 municípios mineiros, incluindo trechos inseridos no bioma Cerrado. A lama deixa toda essa rede de drenagem alterada, desde o curso dos rios, com vazões interrompidas em alguns trechos e com variações ao longo de toda a bacia hidrográfica.

Impactos ambientais

O rejeito de minério, com grande concentração de lama, ferro e metais pesados, asfixia os rios, deixando sem oxigênio os corpos hídricos na bacia hidrográfica. Isso mata de imediato os organismos vivos do meio aquático, peixes, alevinos, anfíbios, organismos bentônicos e microorganismos que são bioindicadores responsáveis pela saúde da vida na água, plantas e ovos de uma grande diversidade de espécies de peixes, anfíbios e insetos.

“O transporte dos sedimentos e rejeitos rio abaixo vai depender das condições climáticas. Vamos percorrer a região para avaliar isso. Por enquanto, a velocidade da água do rio e do rejeito, segundo previsão dos técnicos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) é lenta e a previsão é que chegue ao reservatório de Retiro Baixo a partir da próxima terça-feira. Ainda não é possível afirmar com certeza em quanto tempo chegará à foz do rio São Francisco, ou em qual proporção afetará essa importante bacia hidrográfica“, destaca Malu.

O Comitê de Bacias do Rio Paraopeba relata a ocorrência de 86 espécies de peixes, sendo que os mais abundantes são corvinas, curimbatás, surubins e dourados, responsáveis pela grande atividade pesqueira na região. A piracema – período de subida dos peixes para desova e reprodução – ocorreu entre novembro e janeiro e as áreas afetadas que são regiões de cabeceira dos rios formadores da bacia do Paraopeba e do Rio São Francisco estavam repletas de alevinos e peixes pequenos. Essa dinâmica da vida aquática foi afetada diretamente.

A Mata Atlântica, as áreas naturais e as matas ciliares também foram arrastadas e a perda da floresta nativa afeta e dificulta muito a recuperação da rede hidrográfica, com efeito cascata do dano ambiental sobre os ecossistemas da região. Brumadinho possuía antes do ocorrido 15.490 hectares de remanescentes do bioma acima de 3 hectares, o equivalente a 830 campos de futebol – isso representa 24,22% do que havia do bioma originalmente no município, segundo o Atlas da Mata Atlântica.

A Fundação SOS Mata Atlântica está monitorando com especialistas a destruição da mata na região.

(Foto Gaspar Nóbrega/SOS Mata Atlântica)


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