Notícias

Newsletter

Acompanhe as novidades e fique sempre informado sobre nossos eventos

Política Nacional para Restauração Florestal: estratégias e perspectivas
06/05/2014


Por Aretha Medina e Rafael Bitante Fernandes* – Com a oportunidade de colocar em prática a nova lei florestal (lei 12.631/12) e estabelecer estratégias para a recuperação de áreas degradadas, desde o final de 2013 o Ministério do Meio Ambiente (MMA) está formulando uma política pública que pode reverter o retrocesso ambiental provocado por mudanças no Código Florestal, por meio do Plano Nacional para a Restauração da Vegetação Nativa no Brasil. Esse plano tem o objetivo de articular, integrar e promover programas e ações indutoras da restauração de paisagens florestais em larga escala, envolvendo diversos segmentos, com o potencial de ser uma janela de oportunidades para colocar em prática lei florestal que já completa dois anos, sem regulamentação. Para isso, uma série de oficinas, consultas, encontros e reuniões, buscando representatividade e colaboradores múltiplos já aconteceram, e devem resultar na elaboração de um documento base. Segundo dados do MMA, estima-se que o Brasil possui um déficit de 43 milhões de hectares de áreas de preservação permanente e 42 milhões de hectares de reserva legal (http://www.mma.gov.br/florestas/programa-nacional-de-florestas). Apenas na Mata Atlântica, há 15 milhões de hectares passíveis de restauração florestal. Ao colocar em prática as ações propostas no plano e direcionar esforços para a recuperação de milhões de hectares de áreas degradadas, crescem oportunidades para a economia florestal, com a movimentação de viveiros de produção de mudas, insumos, técnicos e mão de obra para execução de projetos nessas áreas, aquecendo a geração de trabalho e renda e contribuindo para a adequação ambiental das propriedades rurais, resgatando serviços ecossistêmicos fundamentais. Entre eles vale destacar a conservação da água e a melhoria no clima por meio do sequestro de gás carbônico (CO2), trazendo uma visão sistêmica das atividades de conservação e produção agropecuária. Diante disso, observa-se que o Plano Nacional para Restauração da Vegetação Nativa  poderá agregar novas perspectivas para ações de conservação e restauração florestal com espécies nativas do Brasil e alavancar um novo cenário para a proteção e recuperação dos serviços ecossistêmicos. A Fundação SOS Mata Atlântica já promoveu a recuperação de 18.600 hectares com os programas Florestas do Futuro e Clickarvore, que reúnem uma rede de parceiros e colaboradores, congregam viveiros de mudas de espécies nativas, coletores de sementes, pesquisadores, especialistas, técnicos e profissionais que atuam em plantios e projetos de restauração florestal, proprietários de terras e patrocinadores, por livre iniciativa.  A nossa experiência no setor ao longo de 14 anos de trabalho na restauração do bioma Mata Atlântica comprova que estamos apenas no começo e que há trabalho a ser realizado nesse campo. Os esforços dessa grande rede de parceiros tem resultado no aperfeiçoamento de metodologias e na busca de novas políticas públicas capazes de promover o fortalecimento da cadeia de serviços e benefícios, com resultados extremamente positivos para a qualidade de vida das pessoas e das regiões beneficiadas com a conservação e a restauração dos recursos naturais. Ao final da atual gestão o Ministério do Meio Ambiente tem a oportunidade de deixar como contribuição efetiva para a sociedade e para o país o Plano Nacional de Restauração Florestal, com metas objetivas , recursos e incentivos que deem condições de implementação e apoio da sociedade. *Aretha Medina é Coordenadora do programa Clickarvore. Rafael Bitante Fernandes é coordenador de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.


Tags

Compartilhe

Comentários