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Beloyanis Monteiro: militância socioambiental que vem de berço
23/08/2018


Nesta quinta-feira (23) nosso coordenador de Mobilização, Beloyanis Monteiro, está em Foz do Iguaçu (PR) onde recebe o prêmio Muriqui 2017, iniciativa da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica criada em 1993, que reconhece pessoas físicas e instituições públicas ou privadas, nacionais ou internacionais que tenham se destacado por suas atividades em benefício da proteção da biodiversidade e do Desenvolvimento Sustentável ou do conhecimento científico e tradicional da Mata Atlântica.

Bello Monteiro – como é chamado – tem longa trajetória no movimento ambientalista. Na verdade, antes mesmo de militar pela causa ambiental, já participava de movimentos sociais. Natural de Anápolis (GO), é filho de Abissinia Bueno Monteiro e Clovis Bueno Monteiro e viu desde a infância seu pai trabalhar pela defesa de direitos, como líder social. Era comum em seu dia-a-dia estar rodeado por pessoas que buscavam a igualdade no Brasil.

Mais tarde, no início dos anos 1980 – já como militante – foi convidado a uma reunião de um grupo de jovens denominado Movimento pela Jureia, uma vez que já demonstrava sua liderança e articulação entre os movimentos sociais. O grupo que defendia a Jureia lutava contra os riscos que esta região do litoral sul de São Paulo sofria e criou uma campanha para tirar um parque do papel à realidade, algo confirmado anos mais tarde com a criação de uma área protegida na região.

“O Fabio Feldmann tinha uma casa na avenida Brigadeiro Luis Antonio onde muitos movimentos – não só ambientais – se reuniam. Não existia internet e redes sociais e nestes locais era onde aconteciam as mobilizações“, destaca Bello Monteiro, que foi um dos primeiros profissionais do movimento ambientalista a ser remunerado, uma vez que grande parte do setor contava com voluntários.

Com isso, trabalhou na Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), associação sem fins lucrativos que congrega interessados na exploração, pesquisa e preservação de cavernas, assim como em todas as ciências e atividades correlatas ao meio ambiente. Ainda atuou em uma cooperativa de comunicação, no próprio Movimento pela Jureia e na Rede de ONGs da Mata Atlântica, onde já foi coordenador entre os anos de 2014 e 2016. Atualmente, além de coordenador de Mobilização da SOS Mata Atlântica, representa a organização em diversos movimentos como a Associação Brasileira de ONGs (ABONG).

“Costumo dizer que naquela época quando havia interesse do capital, a questão ambiental era deixada de lado. Não que é diferente hoje, mas não existiam leis e não se pensava em impacto ambiental, por exemplo, de grandes obras“, lembra ele.

Em 1993, após também passar pela Câmara Municipal de São Paulo, onde foi assessor de alguns vereadores, chegou à SOS Mata Atlântica. Na ONG foi o criador do programa de voluntariado, que chegou a ter mais de 500 voluntários ativos e foi uma das grandes conquistas de Bello, que ficou 15 anos à frente do grupo.

O programa surgiu após uma viagem de Bello à Italia, onde conheceu a iniciativa Legambiente, organização ambiental italiana. Voltando ao Brasil, participou de uma iniciativa de Ruth Cardoso, que realizou um evento para falar sobre voluntariado no Brasil. Na ocasião, foi convidado por um representante do Canadá a participar de um grupo de estudos do Terceiro Setor, que trabalharia com capacitações a organizações da sociedade civil sobre captação de recursos para voluntariado e a metodologia do modelo colaborativo, que seria um grande marco em sua carreira anos mais tarde.

“A SOS Mata Atlântica tinha porta-vozes em todo o Brasil. Foi uma experiência marcante para nós. Fizemos inclusive um grande trabalho nas periferias de São Paulo, falando sobre as questões socioambientais. Foi uma época muito rica“, destaca ele.

Como coordenador do grupo de voluntariado da SOS Mata Atlântica realizou diversas mobilizações pela Lei da Mata Atlântica, sancionada em 2006, sendo a única a proteger um bioma brasileiro. Segundo ele, na época chegou a ouvir de políticos que “meio ambiente não dá voto“, mas não desistiu.

“Quando a gente acredita no que fazemos não pensamos em dinheiro ou em outras coisas, estamos sempre engajados. Não se pode perder o fôlego. As pessoas me procuram por saber da minha articulação, isso é gratificante“, acredita ele.

Uma das pessoas com a mesma crença que Bello é Romilda Roncatti, que foi voluntária da SOS Mata Atlântica entre os anos de 2001 e 2008 e hoje é coordenadora do programa Observando os Rios da ONG, que conta com a participação de mais de 3.500 voluntários em todo Brasil.

“Eu trabalhava em uma empresa que foi visitada por ele para apresentar o programa de voluntariado da SOS Mata Atlântica. Eu me encantei pela proposta e fui participar de ações em escolas da periferia. Ele me mostrou outro mundo, tanto de meio ambiente quanto social. Depois não consegui mais me desconectar disso. O Bello foi uma pessoa fundamental em minha vida, um divisor de águas. O trabalho que ele fez com voluntariado e mobilização vem do poder que tem de unir pessoas com seu carisma e liderança“, afirma Romi.

“O Bello influenciou vários jovens que direcionaram suas carreiras para a questão ambiental graças à vivência que ele proporcionou. Quando eu era voluntária ele levava profissionais da área para falar sobre o tema. Isso fez com que muita gente se interessasse e fosse para a área de meio ambiente em suas profissões. Eu sou uma delas“, conta Romi.

Para Bello, o reconhecimento que acaba de receber e sua trajetória só dão certeza de ter tomado as decisões corretas. “Sei que estou do lado certo e com as pessoas certas. Temos que continuar o desafio, defendendo as ideias da gente. Não podemos descuidar das questões ambientais. Temos que nos animar, envolver as pessoas e jovens que vão seguir isso também“, convoca ele.


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