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Áreas preservadas são as melhores fontes de água limpa
22/03/2018


Parnaíba, Sinos, Tietê, São Francisco, Iguaçu e Doce são rios monitorados com apoio de voluntários

Regiões onde a Mata Atlântica está preservada são as melhores produtoras de água, em abundância e com boa qualidade. É o que mostra o monitoramento de rios e outras fontes coordenado há quase três décadas pela Fundação SOS Mata Atlântica.

O acompanhamento já alcança 230 córregos, rios e lagos em mais de cem municípios de todos os estados com Mata Atlântica, além do Distrito Federal. “As amostras com água de melhor qualidade vieram justamente de regiões onde a vegetação nativa está preservada. Onde ela foi desprotegida e desmatada, a qualidade da água despencou, em menos de um ano”, relatou Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica.

Todavia, nenhum ponto analisado entre março de 2017 e fevereiro de 2018 foi avaliado como tendo água de ótima qualidade. No balanço, 96% das amostras coletadas mostraram que o recurso não estava apropriado para consumo humano.

Os dados sobre a situação dos rios urbanos do bioma foram apresentados no 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília (DF), e são gerados por coletas mensais realizadas por 3,5 mil voluntários capacitados pelo Observando os Rios. O projeto tem patrocínio da Ypê e Coca-Cola Brasil.

Segundo Malu Ribeiro, a qualidade da água sofre impactos diretos das chuvas, da agropecuária, da urbanização e do desmatamento. Logo, a condição do recurso depende diretamente da conservação dos ambientes naturais e do nível de sustentabilidade das atividades econômicas.

“Os testes revelam a fragilidade ambiental dos rios e a urgência de que a conservação da natureza seja incluída efetivamente na agenda de desenvolvimento do Brasil como suporte à qualidade e quantidade de água disponível. Rios e nascentes secando ou contaminados são reflexo direto de falhas em saneamento, gestão e governança”, afirmou ela.

Malu ressaltou também que é fundamental que a norma que trata do enquadramento dos corpos d’água seja aprimorada, excluindo os rios de classe 4 da legislação brasileira. Essa classe, na prática, permite a existência de rios mortos por ser extremamente permissiva em relação a poluentes e mantém muitos em condição de qualidade péssima ou ruim, indisponíveis para usos.

“Esse retrato da qualidade da água é fruto da maior rede de monitoramento participativo em atividade no país”, ressaltou Pedro Passos, presidente da Fundação SOS Mata Atlântica. Ele agradeceu especialmente à Ypê e a Jorge Eduardo Beira, presidente do conselho da empresa e representante dela no evento, por apoiar o projeto e garantir sua continuidade.

Os dados das análises desse estudo seguem a metodologia de monitoramento por percepção da qualidade da água, especialmente elaborada para a Fundação SOS Mata e que tem como base o Índice de Qualidade da Água (IQA). As análises são realizadas com um kit que cabe numa mochila e avalia um total de 16 parâmetros. A iniciativa nasceu em uma campanha pela recuperação do Rio Tietê no início dos anos 1990, ancorada justamente no monitoramento da qualidade da água por voluntários.

“A sociedade desde então contribui diretamente para o aprimoramento de políticas públicas que impactam positivamente a gestão e a oferta de água limpa para todos”, disse Márcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

Por meio de cooperação com entidades brasileiras e internacionais, o monitoramento de fontes de água deve ser estendido para um maior número de rios que abastecem o Pantanal e a Bacia do Rio da Prata. Atualmente, fontes são monitoradas nos municípios de Bonito e Bodoquena, no Mato Grosso do Sul.

“O modelo de monitoramento em uso na Mata Atlântica é sem dúvida replicável para outros países da América Latina”, avaliou Hugo Florez Timoran, representante no Brasil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Também participaram da apresentação dos dados de monitoramento representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Chico Mendes, do setor privado e das frentes parlamentares ambientalistas Federal, dos Estados e dos Municípios.

Licenciamento ambiental

O deputado federal Alessandro Molon, coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, esteve no evento e ressaltou a importância do estudo. Ele lamentou especialmente a situação do Rio de Janeiro, que não teve nenhum ponto com água boa no período avaliado.

Molon reforçou que existe uma tentativa de desmontar o licenciamento ambiental no país e que essa é a maior ameaça no Congresso atualmente. Para ele, se os rios estão numa situação ruim agora, sem o licenciamento ficará muito pior. “Não há acordo para votar. Mas querem retirar a necessidade de licença para atividades agrícola e pecuária. Será um retrocesso enorme. Não se pode promover um Fórum como este e ali do lado [no Congresso] dar um passo atrás como esse. Estamos preocupados”, disse.

O relatório Observando os Rios 2018 pode ser acessado aqui.


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