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Membranas de contenção da Vale não impedem que 100% do rejeito contaminado avance pelo rio Paraopeba
06/02/2019


A Fundação SOS Mata Atlântica chegou nos últimos dias na região de Pará de Minas – a aproximadamente 90 km da barragem Córrego do Feijão – onde continua sua expedição de 356 km pelo rio Paraopeba. Ao todo, 11 pontos já foram analisados pela organização e a maioria deles possui água com condição péssima. O objetivo do trabalho é analisar a qualidade da água e verificar o alcance dos rejeitos a outras regiões.

Para analisar a efetividade das membranas instaladas pela Vale, que têm como objetivo conter os rejeitos, a equipe da ONG realizou medições antes e depois das barreiras. No primeiro ponto, onde o rio possui intensa corrente – trecho mais largo até agora –,o índice de oxigênio chegou a 3mg/l e a turbidez a 683,8 NTU (sigla em inglês para a unidade matemática Nefelométrica de Turbidez, que verifica quantidade de partícula sólida em suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, causando a morte da vida aquática). Esta turbidez equivale a seis vezes mais do que o indicado pela legislação ambiental.

Aproximadamente 500 metros depois das membranas, no ponto de captação de água de Pará de Minas, a turbidez foi de 366 NTU, ou seja, as barreiras estão tirando aproximadamente 50% do volume de rejeito.

Portanto, neste ponto não há vida aquática, além de não ser indicado o uso desta água pela população – conforme decisão de suspensão de captação pela empresa Águas de Pará de Minas.

Desmatamento da Mata Atlântica

A Mata Atlântica, as áreas naturais e as matas ciliares também foram arrastadas e a perda da floresta nativa afeta e dificulta muito a recuperação da rede hidrográfica, com efeito cascata do dano ambiental sobre os ecossistemas da região. Brumadinho possuía antes do ocorrido 15.490 hectares de remanescentes do bioma acima de 3 hectares, o equivalente a 830 campos de futebol – isso representa 24,22% do que havia do bioma originalmente no município, segundo o Atlas da Mata Atlântica.

Segundo dados da SOS Mata Atlântica/INPE/MapBiomas, houve uma perda de 109 hectares de florestas nativas. Destes, 53 hectares eram áreas bem preservadas. A Fundação SOS Mata Atlântica continuará monitorando com os especialistas a destruição da mata na região.

Rio ainda pode viver

De todos os pontos analisados pela organização, todos tiveram qualidade péssima, com exceção de dois com condição ruim, com nível um pouco maior de oxigênio e menor de turbidez. Um deles na área urbana de Juatuba, ao lado do pontilhão da linha de trem.

“Apesar de estar ruim, o resultado ficou muito próximo de péssimo. O que pode ter causado isso é o fato de que a Usina Termelétrica Ibirité segurou uma parte bem grossa do volume de rejeitos, mas após as chuvas que atingiram a região a lama começou a descer“, afirma Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica.

Para a Fundação SOS Mata Atlântica ainda não é possível dizer se e quando os rejeitos contaminados devem atingir o rio São Francisco. Apesar do primeiro sinal de morte do rio, uma vez que o corpo d’água é o primeiro a sentir os impactos do desastre, e pelo fato de que alguns animais morreram e outros podem migrar para outras regiões, a presença de bactérias pode dar início a uma vida totalmente diferente.

A bacia do rio Paraopeba é formadora e corresponde a 5,14% do território da bacia do rio São Francisco, além de ser um dos principais mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Este rio tem extensão de 546,5 km, área de 12.054,25 km² e abrange 48 municípios mineiros, incluindo trechos inseridos no bioma Cerrado.

Nesta terça-feira (5), a equipe da SOS Mata Atlântica segue para São José da Varginha, Fortuna de Minas, encerrando as atividades na cidade de Paraopeba. A partir de quarta (6), a equipe deve partir para as regiões de Cachoeira da Prata e Curvelo.

(Foto Gaspar Nóbrega/SOS Mata Atlântica)

 


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