Artigos

Newsletter

Acompanhe as novidades e fique sempre informado sobre nossos eventos

Rios poluídos, cidades com sede
24/03/2017


Artigo de Malu Ribeiro*, originalmente publicado no Estadão.

No momento em que a Lei das Águas do Brasil completa 20 anos, apenas seis rios dos estados da Mata Atlântica apresentam qualidade de água boa. O retrato da qualidade da água, elaborado a partir do levantamento que a SOS Mata Atlântica realizou de março de 2016 a fevereiro de 2017 mostra a dura realidade que o país precisa encarar para garantir o acesso à água, em qualidade e quantidade, à sociedade.

A análise ocorreu em 240 pontos de coleta de água de 184 rios de 11 estados e do Distrito Federal. A qualidade regular da água encontrada em 70% dos recursos hídricos avaliados é um alerta à fragilidade das regiões de maior concentração populacional do país em relação à gestão da água. É também um chamamento à responsabilidade dos gestores públicos, da iniciativa privada e da sociedade para a necessidade de aperfeiçoamento e implementação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos e, sobretudo, da necessidade de mudança de comportamento em relação à água.

Por mais moderno que seja o arcabouço legal e por muitos avanços que a Lei das Águas trouxe, na prática ainda convivemos com a exclusão hídrica, a escassez, a poluição e o desperdício. Agravantes que potencializam os impactos de eventos climáticos extremos, como os que levaram a região sudeste à crise hídrica.

Cuidar da água demanda educação e políticas públicas integradas, modernas e eficientes. Não podemos mais aceitar rios urbanos fétidos e contaminados, além represas e grandes reservatórios, como a Billings, indisponíveis para usos públicos por falta de saneamento ambiental. Temos tecnologia e recursos para avançar nos índices de qualidade da água. Falta inclui-la na agenda estratégica do país.

 

*Malu Ribeiro é especialista em Recursos Hídricos da Fundação SOS Mata Atlântica, ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades. Saiba como apoiar as ações da Fundação em www.sosma.org.br/apoie.

 


Compartilhe

Comentários

  • maur

    Acho que a solução é , claramente, pulverizar e multiplicar os esforços, criando mais de 50 sub concessionarias de sub bacias da Bacia do Alto Tietê.
    Tais sub concessionarias, teriam a responsabilidade de operação e manutenção do Saneamento e Despoluição do seu córrego, da coleta e afastamento dos esgotos com entrega à SABESP, coleta e destinação do lixo na sua sub bacia, da drenagem na sua sub bacia.
    Sua obrigação principal é entregar a agua da sua sub bacia com qualidade Classe 2 substancialmente em tidas as condições (faça chuva ou faça sol). E , para isso, tem o controle de todos os fatores ( os 4 acima) que afetam a qualidade das aguas da sua sub bacia.
    Quando todas as sub concessionarias lançam aguas com qualidade Classe 2 nos “corpos estaduais” (Rios Tietê, Pinheiros, Tamanduateí, Reservatórios Billings e Guarapiranga), a agua destes corpos só pode ter qualidade de
    Classe 2! Ou não?
    A sociedade de cada sub bacia paga o custo operacional (operação e manutenção) de sua concessionaria de Saneamento e Meio Ambiente. Existe um ranking vivo de performances das concessionarias, o ganho dela e o custo para a sociedade de sua sub bacia, dependem da colocação neste ranking ( progresso no atingimento da meta básica de lançar com qualidade Classe 2) e a pesquisa “Satisfação do Cliente” , expontânea, pela Internet, por parte da sociedade de sua sub bacia.
    Tem mais. Posso apresentar.

    • Malu Ribeiro

      Obrigada por sua contribuição. Encaminhe as suas sugestões, vamos aprofundar esse debate. A gestão por microbacias ou sub bacias hidrográficas, envolvendo as comunidades locais é fundamental.