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Não basta parar de devastar. É hora de replantarmos a Mata Atlântica

23 de dezembro de 2015

Artigo de Marcia Hirota, originalmente publicado no Blog do Planeta – Temos um desafio enorme pela frente: reflorestar o Brasil. Continuamos a ver no país um modelo ultrapassado de desenvolvimento, sustentado no mito da abundância e moldado por uma visão de que crescimento se dá por expansão territorial e desmatamento.

Todos os principais ciclos econômicos da história do país seguiram essa lógica, da exploração do Pau-Brasil à industrialização e expansão das cidades. Começamos pela costa, acabando com mais de 90% da área original da Mata Atlântica, e nos espalhamos pelo Brasil, com o desmatamento de 50% do Cerrado, 45% da Caatinga e 20% da Amazônia, que continuam sob grande ameaça.

Esses números por si só já seriam suficientes para impor uma revisão desse modelo de desenvolvimento, mas a agenda ambiental parece ter submergido do debate político brasileiro, ainda mais agora com o país mergulhado em crise. A distância é tamanha que nem a falta d’água que atinge grandes metrópoles tem sido capaz de colocar o tema no centro das atenções. Estamos vendo rios sendo cada vez mais destruídos, comprometendo o abastecimento para o nosso consumo. O desmatamento não é a única causa do problema, mas o agrava, tese já comprovada por inúmeros estudos científicos e depoimentos de especialistas que se dedicam à questão.

Para resolver esse problema, precisamos zerar o desmatamento e ir além: reflorestar. Restaurar nossas florestas, sobretudo nas áreas de nascentes, mananciais e a mata ciliar nas margens dos rios, é a solução para mitigar os riscos atuais e futuros de desabastecimento de água.

O Rio de Janeiro tem um exemplo histórico, emblemático e visionário – a restauração da Floresta da Tijuca, por ordem de Dom Pedro II, como solução para uma das maiores secas já registradas na cidade. O processo de replantio e recuperação do solo teve início em 1861, quando o imperador criou oficialmente o Parque Nacional da Tijuca e devolveu ao Rio o que é hoje uma das maiores florestas urbanas do mundo. E o melhor é que a história não parou por aí. Se você visitar este Parque num final de semana para fazer alguma das trilhas, certamente se deparará com grupos de voluntários que fazem um trabalho fundamental no reflorestamento e na limpeza da mata, conscientes do importante papel de cada um de nós nessa missão de proteger e restaurar as nossas florestas.

Recentemente, em parceria com o programa “Um Pé de Quê?”, produzido pela Pindorama Filmes e exibido no Canal Futura, da Fundação Roberto Marinho, colocamos uma campanha de financiamento coletivo no ar com a proposta de captar recursos para o plantio de 20 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica e recuperar 1,33 quilômetros de matas ciliares dos dois lados do Rio Una, na bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A receptividade das pessoas à campanha “Dá Pé” foi tamanha que no último dia 12 de dezembro, com 95% da meta arrecadada, pudemos realizar o primeiro plantio.

Este é um ótimo exemplo de que não basta apenas cobrarmos medidas de empresas ou dos nossos governantes. Precisamos também colocar a mão na massa e sermos agentes desses processos de mudança. Mudanças que devem começar já, pois o meio ambiente tem pressa. Precisamos envolver mais e mais pessoas nesse sonho possível de reflorestar a Mata Atlântica!

*Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades. Saiba como apoiar as ações da Fundação em www.sosma.org.br/apoie.


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