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Eles só querem participar
08/05/2019


Ação voluntária comprova desejo da sociedade de contribuir para projetos socioambientais

Em um cenário que aparentemente não remete meio ambiente – pelo menos atualmente, a Avenida Paulista, foi o local onde mais de 70 pessoas se reuniram no último domingo (5), para iniciar a celebração do mês da Mata Atlântica. Ali, no meio do principal cartão postal de São Paulo, um refúgio de área verde desperta a atenção dos mais curiosos. Ao deixar de lado o asfalto quente e a animada avenida aberta ao público aos domingos, eles se surpreendem com tamanha beleza, tranquilidade e clima ameno propiciado pelas árvores do Parque Trianon.

Foi justamente estas combinações que fizeram a Fundação SOS Mata Atlântica realizar uma ação voluntária no parque como o primeiro evento do Viva a Mata 2019, iniciativa que há 15 anos celebra o Dia da Mata Atlântica (27/05).

Você que não participou desta ação ainda tem muitas outras oportunidades. Clique neste link e acesse a programação completa do Viva a Mata

“Foi muito interessante ver tanta gente engajada, num domingo de sol, para realizar algo que irá beneficiar toda a sociedade“, afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

“O que vocês (voluntários) fizeram nesta ação parece algo simples, mas saibam que fará a diferença para a conservação ambiental do parque“, disse Erika Gartner Hopfgartner, zootecnista especialista em parques urbanos e gestora dos parques Trianon e Mário Covas.

Durante a atividade, os voluntários puderam contribuir para a conservação ambiental de um jeito diferente. Eles retiraram 900 litros (sacos de lixo) de plântulas de seafórtia e lixo, e 100 litros (sacos de lixo) de sementes de seafórtia.

A seafórtia é uma palmeira exótica australiana que tem tomado o espaço das espécies nativas de Mata Atlântica do parque. Segundo dados da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), em 2013, eram 83 indivíduos da espécies. Já em julho de 2017 foram contabilizados 197 árvores. Em 2018, este número chegou a 694 indivíduos, ou seja, sete vezes mais do que havia cinco anos antes, comprovando como seu crescimento é veloz e prejudicial para as demais espécies. Para evitar isso, técnicos da SVMA já desenvolvem este trabalho de remoção da espécie há alguns anos e a ação voluntária veio para ajudar esta iniciativa.

“O Parque Trianon é um exemplo de resistência da Mata Atlântica. É uma área verde como diversas outras país afora, que consistem em alguns dos poucos pontos que a sociedade tem para desfrutar da natureza dentro das grandes cidades“ afirma Érika Guimarães, bióloga e especialista em Áreas Protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Também foram plantadas nove árvores de cerca de 1,5 metro de altura de jequitibá-branco, palmito-juçara e pau-viola. Alguns voluntários preparam as mudas para plantio e, no geral, o sentimento era de evidente vontade de contribuir para ações socioambientais.

Luiz Quevedo, estudante de Marketing, que pela primeira vez participou de uma ação voluntária, comentou o assunto. “Eu não tenho nenhuma formação ou relação com a área ambiental, mas sempre tive vontade de fazer alguma coisa para a minha comunidade.  Não foi cansativo, e sim gratificante. Eu sinto falta deste contato com a natureza e ao saber desta ação fiz questão de participar“, destacou.

Dorivania Carvalho, estudante de curso técnico de Meio Ambiente, compartilhou a mesma opinião. “O meio ambiente é a nossa casa e todos têm que fazer sua parte, mas ainda falta educação ambiental para as pessoas. A gente vê muita coisa que fazem de errado sem saber que aquilo é prejudicial. Mas também há aqueles que têm informação, mas não se interessam, pois acham que uma pessoa só praticando algo positivo não vai fazer a diferença. A gente não pode julgar os outros, mas devemos nos preocupar com nossa parte“, disse ela.

Já Lucas Pereira de Lima reforça como este evento é uma ferramenta importante de empoderamento social e também para quem deseja trabalhar na área ambiental. Ele participa de um projeto de preservação e conservação dos parques da zona leste de São Paulo e levará o conhecimento adquirido na ação para sua região. “As ideias do evento estão muito alinhadas com nossa atuação, pois queremos incentivar o turismo com conservação, para que a população local seja protagonista, como aconteceu aqui“, frisou ele, que foi criado em práticas que valorizam o meio ambiente, mas também faz curso técnico para ser guia de Turismo.

O botânico e paisagista Ricardo Cardim também confirma esta importância do evento que, além de colaborar para a restauração do museu vivo que é o Trianon, incentiva a apropriação da população deste espaço público. Para Cardim, o parque é o maior patrimônio de Mata Atlântica dentro da cidade de São Paulo, mas precisa ser cuidado se quisermos que ele atravesse a nossa geração e chegue até a próxima.

“O Trianon encontra-se em situação crítica, é um paciente na UTI e que pode morrer se nada for feito. Ele é um fragmento isolado há mais de 100 anos, sem seus bichos, sem conexão com outras florestas e com uma série de plantas invasoras que chegaram por paisagismos desastrosos ao longo da história. Tudo isso culminou em uma erosão genética importante. O remédio é amargo, que é retirar seres vivos como estas mudas, mas que estão prejudicando uma biodiversidade riquíssima e ancestral. Este trabalho é fundamental para que o parque possa continuar sendo usado pelos paulistanos“, parabenizou ele.

Clique aqui e veja a galeria com as imagens do evento

O Viva a Mata 2019 continua até 27 de maio (Dia da Mata Atlântica), com outras atividades em parques, palestras e muito mais. O evento conta com o apoio de Bradesco Cartões, Colégio Dante Alighieri, Globo, Latam, Unibes Cultural e das secretarias Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente e Municipal do Verde e do Meio Ambiente.


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