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Entre as baleias e os golfinhos no Rio de Janeiro
11/01/2018


No segundo semestre de 2017 foi dado prosseguimento ao projeto de monitoramento de baleias e golfinhos nas ilhas Cagarras, Redonda e Rasa, região de Itaipu (Niterói) e adjacências incluindo a baía de Guanabara com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

Entre agosto e dezembro de 2017 o projeto realizou 16 saídas de campo com cerca de 110 h de esforço de observação e 932 km percorridos. Foram feitas avistagens de baleias-de-bryde e golfinhos-de-dentes-rugosos.

Já a unidade social de golfinhos-flíper que frequenta as ilhas Cagarras, Redonda e Rasa no inverno e primavera não foi avistada em 2017. Uma hipótese que poderia explicar esta ausência foram as baixas temperaturas da superfície da água (média 17,5°C), incomuns no Rio de Janeiro durante o período de estudo. De acordo com dados da literatura baixas temperaturas poderiam exercer impacto predominante na termorregulação, em especial para os golfinhos menores como juvenis, neonatos e fêmeas com crias. O número médio de animais imaturos nos grupos sugere que as Ilhas Cagarras e Redonda sejam utilizadas uma época do ano pelos golfinhos-flíper como área de cria e socialização de filhotes, o que reforça a suposição sugerida.

02 Liliane Lodi Golfinho-de-dentes-rugosos

As baleias e golfinhos são identificados com base no perfil de suas nadadeiras dorsais, através da presença de cortes e cicatrizes, utilizando uma técnica chamada de foto-identificação. Os cortes e cicatrizes da nadadeira dorsal têm características únicas. Nenhum animal é igual ao outro. Estas marcas assemelham-se às nossas impressões digitais ou a um código de barras.

Nos últimos 40 anos a técnica de foto-identificação tem sido utilizada para estudar inúmeras populações de cetáceos no mundo inteiro. Trata-se de uma técnica não invasiva ou hostil, uma vez que o animal não precisa ser fisicamente capturado ou marcado. Basta obter boas fotos de sua nadadeira dorsal.

Em 2017, 37 novos golfinhos-de-dentes-rugosos foram identificados individualmente através de marcas naturais na nadadeira dorsal subindo para 113 o número de animais catalogados desde 2011 em águas costeiras do Rio de Janeiro. Uma frequência de 52% dos indivíduos foi reavistado. Com relação a baleia-de-bryde o mesmo indivíduo, catalogado pela primeira vez em 2014, foi registrado em 4 diferentes ocasiões entre setembro e novembro e, outro, identificado em 2012 foi reavistado em novembro.

03 Liliane Lodi Baleia-de-bryde

O padrão espacial e temporal do uso no habitat de indivíduos identificados é uma ferramenta de grande importância para a ciência, uma vez que populações cujos indivíduos apresentam fidelidade de área são frequentemente prioritárias para fins de conservação.

O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Departamento de Conservação de Ecossistemas da Secretaria de Biodiversidade, está coordenando a 2ª Atualização das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade da Zona Costeira e Marinha com previsão de finalizar os trabalhos até meados de 2018. Em função da disponibilidade de novas informações levantadas pelo monitoramento no período compreendido entre 2011 e 2017 o projeto contribuiu no processo de revisão da base de dados para identificação das áreas prioritárias.  Além da revisão e validação de textos e mapas foram sugeridas as áreas de importância biológica para a baleia-de-bryde e os golfinhos-flíper e de dentes-rugosos, espécies alvos de conservação.

arquivo_logo-BaleiasGolfinhosRJ_JPGComo ajudar

O público pode ajudar o projeto postando informações sobre avistamentos dos animais através do grupo do Facebook: Onde estão as Baleias e os Golfinhos?

Com cerca de 5.700 membros, ele é organizado pela coordenadora do projeto Baleias & Golfinhos do RJ, Liliane Lodi, que convida a todos que avistarem golfinhos, botos ou baleias nos mares do Rio de Janeiro a compartilhem suas fotos e vídeos informando data, local, hora e número de animais.

A página de ciência cidadã, criada em 2013, já obteve 244 registros de cetáceos em águas cariocas, entre baleias-de-bryde, baleias-jubarte, baleias-franca-austral, golfinhos-de-dentes-rugosos, golfinhos-flíper, golfinhos-comum, botos-cinza e orcas. As informações auxiliam os pesquisadores a elaborar o mapeamento da biodiversidade e distribuição de cetáceos na cidade do Rio de Janeiro.

Quem quiser participar, basta solicitar para entrar no grupo e começar a gravar e fotografar os animais. Participe! Os animais avistados também aparecem no perfil do projeto no Instagram.

Crédito das fotos:

01 e 02 – Golfinhos-de-dentes-rugosos no interior da Baía de Guanabara. Ao fundo a ponte Rio-Niterói. ©Liliane Lodi

03 – Baleia-de-bryde nas proximidades do Vidigal. ©Liliane Lodi

Texto de Liliane Lodi.


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