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Florestas: 30 anos, mais de 36 milhões de mudas plantadas
16/12/2016


Os projetos de restauração florestal da Fundação SOS Mata Atlântica já se destacam entre os que mais contribuíram para a reabilitação do bioma no País. Com a proposta de promover a integração entre produção rural e conservação do meio ambiente, a ONG foi responsável pelo plantio de mais de 36 milhões de mudas de árvores nativas, equivalente a uma área de 21.228 hectares, aproximadamente o tamanho da cidade de Recife (PE). Bradesco Seguros e Bradesco Cartões são as principais empresas parceiras dos projetos de restauração da Fundação, com o patrocínio de mais de 30 milhões do total de mudas plantadas. Atualmente, a ONG é uma das poucas organizações brasileiras com capacidade de concretizar projetos de larga escala nessa área.

Nosso histórico mostra que há sinergia entre ambientalistas e produtores rurais, conservação e produção. Quando são ultrapassadas as barreiras da divergência, surge um modelo moderno, que ressalta a importância dos benefícios para todos, para o meio ambiente e a qualidade de vida (Rafael Fernandes, Gerente de Restauração Florestal).

O projeto Clickarvore já beneficiou 508 municípios em 9 Estados, com mais de 29,5 milhões de mudas, somando mais de 17 mil hectares restaurados. Em 2016, foram doadas mais de 410 mil mudas. Já o Florestas do Futuro, que atua simultaneamente em três frentes – sequestro de carbono, manutenção da biodiversidade e preservação de recursos hídricos, com restauração de áreas degradadas – já contemplou 46 municípios em 5 Estados, recuperando uma área de 2.600 hectares, com o plantio de mais de 5,5 milhões de mudas.

A coordenação desses dois programas é feita no Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica – Brasil Kirin (CEF), em Itu (SP), referência em trabalhos de restauração e conservação dos recursos florestais, atuandoCentro 5 anos antes depois nas linhas de restauração florestal e conservação de recursos naturais, pesquisa e experimentação, capacitação e formação, e educação ambiental e mobilização. Com um viveiro próprio, o CEF produz até 750 mil mudas de 110 espécies nativas da Mata Atlântica por ano.

A restauração florestal é executada também no interior do Centro de Experimentos Florestais, e graças à parceria com pesquisadores, em 2016 foram constatados e divulgados resultados deste trabalho, como o reaparecimento de mais de 200 espécies de aves – incluindo espécies ameaçadas como a curica (Amazona amazonica) e a cabeça-seca (Mycteria americana) – e até de uma onça parda na região. Além disso, a oferta de água aumentou, na área de 386 hectares onde ocorre o reflorestamento, evidenciando que a proteção e recuperação da floresta traz benefícios para as espécies e para os serviços ambientais.

cabeça-seca (Mycteria americana)

Cabeça-seca (Mycteria americana); imagem: Marco Silva / Divulgação UFSCar.

Esses resultados foram tema de reportagem no Estadão na Semana do Meio Ambiente (leia a íntegra da matéria), e também de diversas reportagens no Dia da Ave, quando a Fundação comemorou aumento de 140% no número de espécies no CEF.

Com tantas aves à vista, o Centro realizou, na manhã de 19 de novembro, a 1a. edição do Birdwatching no Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica-Brasil Kirin. Um total de 30 pessoas, dentre entusiastas da observação de aves, pesquisadores e a equipe da Fundação e da Save Brasil, se reuniram em Itu (SP) e avistaram mais de 60 espécies de aves em apenas 3 horas.

O Centro também promove eventos, sedia projetos de educação ambiental voltados a escolas e grupos e recebe visitantes. Até 2016, o local recebeu 36.500 visitantes e apoiou 26 projetos de pesquisa.

 

Situação da Mata Atlântica

A Fundação também contabiliza 3.429 municípios com seus remanescentes de Mata Atlântica monitorados no projeto Atlas da Mata Atlântica, que conta com parceria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan.MG Atlas 2016

Os novos dados da situação da Mata Atlântica no Brasil, referentes ao período de 2014 a 2015, foram publicados após o Viva a Mata 2016, em maio, no âmbito das ações pela passagem do Dia da Mata Atlântica. O estudo apontou desmatamento de 18.433 hectares (ha), ou 184 Km², configurando aumento de 1% com relação ao desmatamento no período anterior, e o estado de MG como o que teve maior índice de desmatamento em sua área. O levantamento alcançou boa repercussão na imprensa, com mais de 150 matérias sobre o assunto.

Minas Gerais, voltou a liderar o desmatamento no país com decréscimo de 7.702 ha (alta de 37% na perda da floresta), reverteu um cenário positivo, pois vinha de dois anos de queda nos níveis de desmatamento. A vice-liderança ficou com a Bahia, com 3.997 ha desmatados, 14% a menos do que o período anterior. Já o Piauí, campeão de desmatamento entre 2013 e 2014, ocupa agora o terceiro lugar, após reduzir o desmatamento em 48%, caindo de 5.626 ha para 2.926 ha.

A partir dos dados do Atlas também foram divulgados mapeamentos especiais da Mata Atlântica de São Paulo e Curitiba, e um estudo comparativo mostrando que a qualidade da água no Rio Tietê é maior onde há maior cobertura vegetal.

Além disso, no início de dezembro, a Fundação e Inpe divulgaram dados atualizados relativos à situação dos 3.429 municípios da Mata Atlântica, apresentando os municípios que mais desmataram e os que mais conservaram a floresta.

Todas essas informações podem ser consultadas de forma interativa  no hotsite  Aqui Tem Mata, atualizado a cada edição do Atlas. Lá o internauta descobre de forma rápida e com infográficos a situação da Mata Atlântica e de formações vegetais associadas – como mangues e restinga – na região onde mora.

 

Unidades de Conservação

Erika Guimarães, coordenadora de Áreas Protegidas da ONG, resume o foco da atuação da SOS Mata Atlântica com Unidades de Conservação em 2016: “Buscamos novos parceiros para uma atuação mais integrada, para fortalecer essas áreas que oferecem serviços ambientais relevantes e melhoram a qualidade de vida de todos nós”.

Nesse sentido, e como parte das comemorações dos 30 anos, a Fundação SOS Mata Atlântica anunciou os 24 projetos aprovados pelo edital para o apoio a Unidades de Conservação (UCs) Municipais, que visa estimular o fortalecimento da gestão ambiental nas cidades e o investimento em medidas pela proteção e uso sustentável do ambiente.

Bradesco Cartões e Bradesco Seguros, que patrocinam diversos projetos da Fundação SOS Mata Atlântica, destinam os recursos às UCs na área de Floresta (14 projetos), por meio do Programa de Áreas Protegidas da Mata Atlântica. Já os recursos para as UCs municipais costeiras e marinhas (10 projetos) são destinados pela Repsol Sinopec Brasil, que patrocina projetos de conservação destes ambientes através do Programa Costa Atlântica da Fundação.

Em julho, foi realizada a reunião inicial com os responsáveis pelos projetos, que já estão executando suas atividades.

É um conjunto de projetos agregadores que contribuirão muito para fortalecer esses importantes mecanismos de conservação da biodiversidade local, reunindo poder público, instituições e pessoas para somar esforços voltados para as Unidades de Conservação e as políticas de proteção nos municípios da Mata Atlântica. Esta agenda em nível municipal é uma nova prioridade da Fundação (Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica).

Com apoio do Bradesco e em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (IMCBio), a EY e a Associação Amigos do Parque, a SOS Mata Atlântica iniciou a implantação do projeto  “Parque Nacional da Tijuca: Horizonte 2030”, que visa construir uma visão de longo prazo para o fortalecimento e a sustentabilidade de um dos Parques Nacionais mais emblemáticos do Brasil: O Parque Nacional da Tijuca (PNT), no Rio de Janeiro.Pedra_da_Gavea Tijuca

Com 3.950 hectares de florestas no maciço central da cidade, o Parque protege espécies, a água e contribui para a estabilidade climática. Essas florestas também incluem diversos atrativos turísticos de importância nacional e internacional como o Corcovado, a Vista Chinesa e a Pedra da Gávea (foto). Além disso, o parque possui diversas áreas tombadas pelo IPHAN e foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. O PNT é o parque nacional mais visitado do Brasil, recebendo, em média, 3 milhões de nos últimos dois anos.

Como parte das atividades do Viva a Mata 2016 e com vistas a ampliar o engajamento da sociedade na defesa desse Parque e de toda a Mata Atlântica, a Fundação SOS Mata Atlântica também apoiou uma ação de voluntariado no Parque Nacional da Tijuca, mobilizando cerca de 90 voluntários para plantio de 300 mudas de espécies nativas.


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Comentários

  • Celia Regina

    Comprei um terreno que tem uma área verde no fundo e é mata atlântica , mas esta desmatada ums parte onde meu terreno tem acesso, como posso fazer para reflorestar e proteger essa parte da mata ?

    • http://www.sosma.org.br/ Fundação SOS Mata Atlântica

      Celia, por favor, escreva para info@sosma.org.br com sua dúvida, que encaminharemos aos setores técnicos que podem ajudar a esclarecê-la. Um abraço.