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A luta de voluntários pelo futuro do rio Tietê
27/09/2018


No Dia do Tietê (22), a Fundação SOS Mata Atlântica promoveu um encontro entre grupos de voluntários que monitoram a qualidade do Rio

Era 9h, o Parque Ecológico do Tietê começava a receber seus visitantes de fim de semana – famílias principalmente do entorno, na zona leste de São Paulo, que aproveitam o local para um dia de lazer.

Entre os visitantes, uma turma diferente: voluntários do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, que chegavam para o encontro dos grupos de monitoramento do rio Tietê no estado de São Paulo. Lá, falariam sobre o histórico de mobilização pela despoluição do rio e o futuro que queriam para as águas.

Voluntários escreverem o que querem para seus rios. Crédito: Ana Patrícia/Inovafoto/SOS Mata Atlântica

Voluntários escreverem o que querem para seus rios.
Crédito: Ana Patrícia/Inovafoto/SOS Mata Atlântica

“Estamos preparando as reivindicações colhidas por esta parte da sociedade que sabe muito bem o que acontece com os rios de São Paulo. Eles vivem isso em seu dia-a-dia. Por isso, cada milímetro do Tietê que é recuperado nos emociona. Precisamos que o governo também entenda a importância da água na agenda do estado e do país”, afirma Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica.

Ao chegar ao evento um grande inflável era o ponto perfeito para uma foto. Chamado de Teimoso, a instalação simboliza o Jacaré que ainda vive no rio que o deixou famoso, só que agora no Parque Ecológico do Tietê. No início dos anos 1990, quando nadava tranquilamente no rio, foi visto pela população – que se surpreendeu ao ver que ele conseguira sobreviver naquelas águas fétidas. Com isso, iniciou-se a mobilização da sociedade pela despoluição do Rio Tietê, dando origem ao Projeto Tietê, que tem previsão de mais três etapas para os próximos 20 anos.

Mais de 100 voluntários presentes. Crédito: Ana Patrícia/ Inovafoto/ SOS Mata Atlântica

Mais de 100 voluntários presentes.
Crédito: Ana Patrícia/ Inovafoto/ SOS Mata Atlântica

Na ocasião, a SOS Mata Atlântica apresentou a seus voluntários o balanço das análises feitas no último ano, culminando no relatório Observando o Tietê 2018, um retrato da qualidade da água e a evolução dos indicadores de impacto do Projeto Tietê.

Destaque da roda de conversa dos grupos foi a transparência da comunicação do projeto Tietê, a participação da sociedade nos comitês de bacias – que são a base da gestão participativa e integrada da água –, o engajamento da sociedade por água limpa e o sonho das pessoas para seu rio nos próximos quatro anos.

Para Marta Marcondes, do grupo do projeto IPH, da Universidade Municipal de São Caetano do Su, essa participação da sociedade precisa ser ativa. “Nada virá de mão beijada para nós. Precisamos correr atrás, pois o acesso às informações não é tão simples quanto parece. Só assim para mudar o cenário da qualidade da água. Precisamos, por exemplo, comparar nossos dados com os dados oficiais para ter uma noção da realidade”, destaca ela.

Poluição do Tietê

Roda de Conversa Crédito: Ana Patrícia/ Inovafoto/ SOS Mata Atlântica

Roda de Conversa
Crédito: Ana Patrícia/ Inovafoto/ SOS Mata Atlântica

O relatório Observando o Tietê 2018 apresenta que 122 km do Rio estão mortos, o que representa 11% da extensão de 1.100 km do Tietê. Apesar da redução de 8 km da mancha de poluição, ainda estamos longe de alcançar os 71 km, da marca histórica, de 2014.

Apesar de parecer pouco, os 8 km de redução da mancha significam 8 toneladas de esgotos que deixaram de ser lançadas, diariamente, sem tratamento nos rios afluentes do Tietê. Isso por conta da ampliação da Estação de Tratamento de Esgotos de Barueri, que passou a tratar 12 m³/s de esgotos, o que corresponde ao volume gerado por 5,8 milhões de pessoas. Até 2017, essa ETE tratava 9 m³/s de esgoto.

“Estamos felizes por contar com tanta gente engajada neste projeto. São mais de 3.500 voluntários em todo o Brasil. E saber que nossa mobilização faz com que o projeto de despoluição do Tietê não pare é fundamental para que nossos voluntários continuem mobilizados”, comemora Romilda Roncatti, coordenadora do projeto Observando os Rios.

Mário Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, reforçou que “queremos rios limpos que beneficiem a sociedade. Estamos falando de uma das economias mais importantes do mundo, que entrega rios sujos para sua população. Independentemente se são gerados por crianças, jovens, estudantes ou não especialistas, os dados dos voluntários são cruciais para combater o descaso. Eles são a razão do nosso trabalho”, afirma ele.

Ana Paula apresenta resultado das discussões de seu grupo Crédito: Ana Patrícia/ Inovafoto/ SOS Mata Atlântica

Ana Paula apresenta resultado das discussões de seu grupo
Crédito: Ana Patrícia/ Inovafoto/ SOS Mata Atlântica

Outro ponto fundamental destacado foi o papel da escola na disseminação do tema água. “Comunidade e poder público devem se unir, precisa prevalecer o interesse público e não interesses de grupos específicos. Precisamos tratar os rios como pessoa, pois eles têm nome e história. Isso que eu falo para meus alunos”, destaca Ana Paula Nataroberto, que monitora rios em São Paulo e Arujá, um deles com a Escola Estadual João Prado Margarida.Ao final do evento, a equipe de Água da Fundação SOS Mata Atlântica apresentou futuras ações, como o lançamento de um aplicativo para os voluntários cadastrarem suas análises.

“O que todos nós queremos é um rio limpo, que possibilite lazer, mais parques próximos aos corpos d’água e um rio com vida“, destacou Cesar Pegoraro, educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.


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