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Nota de falecimento: Professor Paulo Yoshio Kageyama
17/05/2016


Hoje o Brasil ficou mais triste. Perdemos o Professor Paulo Yoshio Kageyama, do Departamento de Engenharia Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), ligada à Universidade de São Paulo (USP).

Paulo Kageyama era agrônomo, formado pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado pela mesma Universidade e Pós Doutorado pela North Carolina State University. Ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira, trabalhou com Genética e Conservação, com foco na Conservação de Ecossistemas Tropicais, Restauração de Áreas Degradadas, Sementes Florestais, Variabilidade e Estrutura Genética, assim como Agrobiodiversidade e Agricultura Familiar.paulo_kageyama

Kageyama era neto de imigrantes japoneses, que vieram para o Brasil e se instalaram, como agricultores, na região do Pontal do Paranapanema, onde ele nasceu e também atuou com agricultura familiar. Como estudioso e defensor da agricultura agroecológica, Kageyama alertava sobre os impactos do uso intensivo de agrotóxicos na produção de alimentos. Durante quatro anos ele foi membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e foi um dos críticos da liberação dos transgênicos no Brasil, em especial do eucalipto transgênico, destacando os seus impactos potenciais para as questões hídricas e de biossegurança.

Paulo Kageyama também foi Diretor do Programa Nacional de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente na gestão Marina Silva (2003-2007) e sempre defendeu a importância da educação ambiental como ferramenta imprescindível para informar à sociedade sobre a dimensão dos problemas relacionados à perda rápida da biodiversidade e ao desmatamento.

Foi durante o seu doutorado que o professor Paulo se apaixonou pelo tema da conservação das florestas tropicais, e passou a utilizar seu conhecimento na área de melhoramento genético para auxiliar na conservação da Mata Atlântica. Desde os primeiros workshops promovidos pela Fundação SOS Mata Atlântica para discutir os desafios de conservação desse bioma, o professor Paulo esteve presente e marcou a história e a trajetória da Fundação com o seu legado intelectual e seu conhecimento sobre a floresta.

“Os trabalhos do Professor Kageyama sempre orientaram a atuação da SOS Mata Atlântica no desenho das suas estratégias, desde a participação no primeiro Workshop Mata Atlântica em 1990, até hoje, no âmbito do programa de restauração Florestal. Foi uma bela contribuição e um legado enorme para nós”, destaca Márcia Hirota, Diretora Executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

“O Paulo era a conciliação em pessoa. Aprendi com ele a dialogar, como na ocasião das crises da implantação dos polos de celulose no Espírito Santo e Bahia e na experiência de reposição florestal em São Paulo, quando ele soube transformar crises em oportunidades. A grande lição foi no empenho com a Lei da Mata Atlântica, no entendimento das definições da agricultura familiar, que garantiu justiça socioambiental na proteção e conservação do único bioma com legislação, para a qual ele contribuiu muito”, destaca Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.

“O Paulo foi uma dessas pessoas raras que conseguiu pôr seu profundo conhecimento acadêmico a serviço da sociedade. Falando de forma simples, traduziu para o movimento socioambientalista conceitos que serviram de base para as lutas em prol da conservação. Sua defesa incansável da diversidade agroflorestal brasileira é um exemplo e inspiração que ficará para sempre nas mentes e corações de tantos que tiveram o privilégio de com ele conviver”, lamenta João Paulo Capobianco, fundador da SOS Mata Atlântica.

 

 

 

 


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Comentários

  • Eduardo Mansur

    Um grande mestre, um exemplo de profissional e amigo. Ficará para sempre nas nossas memórias.

  • Luciana Lopes Simões

    meu mestre. Sempre tinha tempo para compartilhar seu conhecimento.