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Unidos pela preservação
28/08/2018


Matéria publicada originalmente no portal do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, do Rio de Janeiro

Estudante italiana visita IFRJ para discutir e aprimorar conhecimentos sobre o meio ambiente e conhece grupo de monitoramento do projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica

O campus Rio de Janeiro recebeu a visita da estudante italiana de Engenharia Matemática Lisa Marie Talia no dia 14 de agosto. O objetivo da visita, segundo Lisa, foi acompanhar de perto e entender algumas práticas que alunos e professores desenvolvem para a preservação do meio ambiente.

O IFRJ participa de um dos projetos da Fundação SOS Mata Atlântica, o “Observando os Rios”. A Fundação foi a primeira ONG destinada a defender os últimos remanescentes de Mata Atlântica no país e visa informar, educar, mobilizar e capacitar pessoas para o exercício da cidadania, catalisando as melhores práticas, conhecimentos e alianças.

O projeto “Observando os Rios” reúne comunidades e as mobiliza em torno da qualidade da água de rios, córregos e outros corpos d’água das localidades onde elas vivem. Composto pela professora de Química Ambiental Flávia Vieira, que participa do projeto desde 2015, e pelos alunos do 4° período do curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental Carlos Eduardo Alvarenga, Ana Carolina Khouri e Matheus Travassos, o grupo é responsável pela remanescente do rio Joana, localizado na Quinta da Boa Vista.

O monitoramento das águas é realizado com um kit desenvolvido pela SOS Mata Atlântica. Os grupos fazem a medição uma vez por mês e enviam os resultados pela internet. Esse kit possibilita a avaliação dos rios a partir de um total de 16 parâmetros e classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação, de acordo com a legislação: péssimo, ruim, regular, bom e ótimo. A análise dos resultados compõe o relatório o “Retrato da Qualidade da Água no Brasil”, amplamente divulgado anualmente, em geral no Dia Mundial da Água.

A aluna do Politécnico de Milão, Lisa Marie, teve seu primeiro contato com o projeto através do site. O interesse foi tanto que ela decidiu vir ao Brasil para ver de perto como funcionava. Ela sempre se interessou pelo meio ambiente e pretende cursar Engenharia Ambiental. “No Brasil a natureza é uma coisa incrível e eu vi que aqui existe muito interesse em conservá-la. Assim que cheguei, quis ver como os alunos e professores da instituição desenvolvem ações para a preservação”, disse ela.

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O primeiro local que Lisa conheceu quando chegou no IFRJ foi o laboratório de Meio Ambiente. Orientada pelos alunos do projeto, que explicaram alguns dos procedimentos ainda lá, ela se surpreendeu ao perguntar se existia algum rio com água própria para banho e/ou consumo e descobrir que todos os rios estão contaminados, principalmente pelo esgoto descartado diariamente pela população. O maior dano por poluição se encontra na Baía de Guanabara.

Em seguida, Lisa seguiu com o grupo para a Quinta da Boa Vista, onde utilizaram o kit do SOS Mata Atlântica. Segundo a professora Flávia Vieira, vários parâmetros foram avaliados, como o oxigênio dissolvido, a concentração de fosfato, a concentração de nitrito, nitrato, ph, entre outros. Dessa forma puderam avaliar a qualidade da água, explicando à Lisa o passo a passo.

O aluno Carlos Eduardo contou que Lisa Marie se interessou por vários outros fatores como saúde pública, educação e investimentos na inovação e tecnologia: “Alguns contrastes de cultura foram discutidos e justificados. A estudante chegou curiosa para saber um pouco mais do que simplesmente dados de monitoramento”, falou.

Além disso, a aluna italiana foi atraída pela curiosidade da Constituição Brasileira ser pioneira em conservação e preservação do meio ambiente, tendo um artigo especial para tal. “Com isso, ela achou que os avanços por aqui podem, de alguma forma, ajudar em seu trabalho de conclusão e a formar possíveis parcerias para solucionar alguns problemas e quebrar alguns paradigmas de ambas sociedades”, concluiu Carlos.

Analise-da-Agua

Atualmente, são 255 grupos de monitoramento que analisam a qualidade da água em 297 pontos, 235 corpos d´água, em 102 municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e no Distrito Federal, envolvendo cerca de 3,4 mil pessoas.


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