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Manifesto em defesa da Floresta do Camboatá: floresta não é lugar de autódromo!

Construção de novo autódromo no Rio de Janeiro pode desmatar 200 hectares de Mata Atlântica

13 de agosto de 2020

Por Fundação SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil

A sociedade civil organizada, moradores do entorno, lideranças comunitárias e profissionais de meio ambiente e urbanismo, reunidos no Movimento SOS Floresta do Camboatá, pedem providências no sentido de impedir a construção do autódromo sobre essa importante área de Mata Atlântica no município do Rio de Janeiro.

A possível construção de um autódromo na Floresta do Camboatá, uma importante área de Mata Atlântica na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é questionada por vários segmentos da sociedade e especialistas. A área é de propriedade do Exército Brasileiro e tem aproximadamente 200 hectares com espécies nativas de Florestas Ombrófilas de Terras Baixas em diversos estágios de sucessão. Sua importância biológica está demonstrada em inúmeras pesquisas realizadas pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O apelo por um novo autódromo levou a uma proposta, absurda para os dias de hoje, que é a sua implantação às custas da perda de expressivas porções de Mata Atlântica, sabidamente um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Mais especificamente, este projeto do novo Autódromo do Rio de Janeiro afeta a Floresta de Camboatá, um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica em terras planas no município do Rio de Janeiro.

Proposta de construção de autódromo na Floresta do Camboatá, no Rio de Janeiro, passa por cima da lei de proteção do bioma Mata Atlântica © Reprodução/Pindorama Filmes
©Reprodução/Pindorama Filmes

Como agravante, tem-se que esta área de Mata Atlântica se situa em um dos pontos mais áridos e desprovidos de cobertura vegetal do município do Rio de Janeiro e foi classificada no Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica do Rio de Janeiro (PMMA) como uma das áreas prioritárias para a conservação ambiental, inclusive indicada como área para se tornar uma unidade de conservação.

Mesmo assim, apesar das evidências, os governantes insistem na posição equivocada de destinar áreas naturais públicas, com a clara vocação de conservação, para atividades privadas, como a construção de um autódromo. Esta proposta passa por cima da lei de proteção do bioma Mata Atlântica, considerado Patrimônio Nacional.

O Estudo de Impacto Ambiental, contratado pelo consórcio privado interessado no terreno da Floresta do Camboatá, ao invés de evidenciar a importância ecológica e social da área e a impossibilidade de que seu desmatamento possa ser compensado com o plantio de árvores, concluiu que este seria o único local adequado para se construir o autódromo. Mesmo havendo uma área alternativa praticamente ao lado, e sem floresta!

A população do entorno da Floresta do Camboatá necessita de opções de lazer capazes de proporcionar benefícios à saúde e ao bem-estar da comunidade, que podem ser garantidos com a manutenção das áreas verdes, se forem dotadas com equipamentos e infraestrutura que permitam a visitação, o lazer, a educação e as pesquisas. Desta forma, a mata nativa seguirá prestando serviços ambientais essenciais à saúde humana, tais como a umidificação do ar, a diminuição da temperatura, o equilíbrio do microclima, entre outros.

Diante do exposto, manifestamos nossa contrariedade ao projeto do autódromo nessa localidade e pedimos que a Floresta do Camboatá seja transformada em uma unidade de conservação, para benefício das atuais e futuras gerações, e que sejam consideradas alternativas locacionais, em áreas já degradadas ou alteradas, para a implantação do referido projeto.

Foto: ©Reprodução/Pindorama Filmes

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