MuBE traz a emergência climática para exposição paralela à COP 26

MuBE traz a emergência climática para exposição paralela à COP 26

Com manifesto assinado por especialistas da área e grande sala inundada por instalação cenográfica, mostra evidencia para o público, através da arte, a urgência da ação

6 de outubro de 2021

O Museu Brasileiro de Escultura e da Ecologia (MuBE) acaba de inaugurar a mostra coletiva Por um sopro de fúria e esperança, que aborda a emergência climática e ocorre em paralelo à Conferência do Clima da ONU em Glasgow (Escócia). A mostra é gratuita reúne trabalhos de mais de 160 participantes, dentre artistas, ativistas, ambientalistas, cientistas, pesquisadores e escritores, que apresentam obras, livros, pesquisas e registros de lutas em prol da proteção e da regeneração do meio ambiente. A exposição conta com apoio da SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental (ISA), Imazon, Liga das Mulheres pelo Oceano e Observatório do Clima.

A abertura da exposição foi marcada pela publicação do Manifesto de Declaração de Emergência Climática, que tem como signatários importantes especialistas em mudanças climáticas, como Carlos Nobre, José Marengo e Andrea Santos. Esta é a primeira vez que uma instituição de arte e cultura divulga um manifesto de tal natureza no Brasil, em linha com museus e instituições de outras partes do mundo que já fizeram o mesmo.

Com curadoria de Galciani Neves (curadora chefe do MuBE) e Natalie Unterstell (especialista em políticas climáticas, e membro da Comissão Ambiental do MuBE), a exposição escancara os impactos das mudanças climáticas e seus desdobramentos sociais, históricos, políticos e ambientais, que têm potencial de redesenhar o território e a economia do Brasil e do mundo. De acordo com Galciani, a curadoria propõe uma “mostra que prima pela escuta a diversas cosmovisões que observam e projetam eventos climáticos extremos, escassez crônica de água, avanço do mar sobre as costas, diminuição da produtividade de alimentos, extinção de espécies, refugiados climáticos e desaparecimento de povos e culturas”.

      

A mostra posiciona-se em favor da transição rápida para uma economia limpa e de se fortalecer a sociedade para que se torne mais resiliente ao mundo mais quente e ao clima mais instável. “Compreendemos ser fundamental compartilhar obras artísticas e projetos que estimulem engajamentos, ações e atitudes alinhados com a urgência climática em nosso cotidiano como sociedade. Propomos reflexões sobre oportunidades e mudanças positivas em curso, como o declínio da poluição do ar a partir da eletrificação dos carros e ônibus, já em curso no mundo todo, e do fim do desmatamento e das queimadas, principalmente no território brasileiro. Tudo isso em cima da provocação feita em um museu parcialmente inundado”, reforça Natalie Unterstell.

A exposição está dividida em duas etapas: na primeira, entre os dias 30/10 e 14/11, uma grande instalação cenográfica inundará a área interna do museu, para emular os efeitos adversos que as mudanças climáticas trarão com o irreversível aumento do nível do mar e a alteração no regime das chuvas, potencialmente resenhando a geografia tal qual a conhecemos, que é um dos pensamentos da mostra. A intervenção cenográfica foi concebida por Flavia Velloso e Ary Perez.

Na segunda fase, a partir do dia 20/11, com a grande sala pós-inundação, novas obras serão adicionadas ao espaço expositivo, como os trabalhos de dois pintores do grupo Santa Helena, obras de Anna Maria Maiolina, Mestre Didi e uma gravura de Goeldi, dentre outros, completando a mostra que vai até o dia 30 de janeiro de 2022 e conta com participação de nomes como Cildo Meireles, Tunga, Alfredo Jaar, Leda Catunda, Solange Pessoa, Claudia Andujar, Denilson Baniwa, Isael Maxakali, Marcia Muria, Regina José Galindo, Fernando Limberger, dentre outros.

A intenção da exposição, que conta ainda com um desdobramento virtual e uma mostra de vídeos, é de natureza educativa: construir elos e diálogos entre as reflexões, pesquisas e trabalhos de artistas, ambientalistas, cientistas e ativistas, em sua maioria brasileiros e latino-americanos. São cinco questões fundamentais para o debate, usadas também como eixos conceituais para a espacialização das obras no MuBE: águas, queimadas e desmatamento, redesenho geográfico, crítica aos modelos de desenvolvimento intensivos em carbono e ações para a transição.

A água usada na instalação da primeira fase não será fornecida pela Sabesp, portanto não influenciará o abastecimento de casas e comércios em São Paulo. Seu fornecimento será integrado ao sistema de captação de água da chuva do piso elevado de concreto da área externa do Museu, parte do projeto visionário e consciente de Paulo Mendes da Rocha para o MuBE. Ao ser desmontada, toda a água da instalação será direcionada para esse sistema de captação do museu sendo guardada e posteriormente reutilizada.

Serviço:

Exposição: Por um sopro de fúria e esperança

Local: MuBE – Rua Alemanha 221, Jd Europa, São Paulo-SP

Data: 30/10/2021 a 30/01/2022

Horário de funcionamento do museu: quarta-feira a domingo, de 11h as 17h

Visitas apenas sob agendamento prévio no site: www.mube.space

 

Sobre o Museu Brasileiro de Escultura e da Ecologia

O MuBE, Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia, foi criado a partir da concessão do terreno, situado entre a Avenida Europa e a Rua Alemanha, pela Prefeitura de São Paulo à SAM – Sociedade dos Amigos dos Museus, no ano de 1986 para a sua construção.

Para a escolha do projeto do prédio do Museu, foi realizado um concurso vencido por Paulo Mendes da Rocha. Nascia então o MuBE e seu prédio que é um marco da arquitetura mundial e que conta também com o jardim projetado por Roberto Burle Marx.

Siga o MuBE no Instagram: @mube_sp

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