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Certificação de Produtos Florestais Não-Madeireiros da Mata Atlântica


Estamos cercados de produtos provenientes das florestas. Carpetes de fibras vegetais, vassoura de piaçava, sucos de pitanga, caju, maracujá, palmito, mandioca, pinhão, bromélias, vasos de xaxim. Tudo isso é Mata Atlântica. No entanto, a mata só sobreviverá dependendo da nossa capacidade de manejar esses recursos, respeitando a capacidade da natureza de repor seus estoques.

Clayton Lino
Presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica

Linha do Tempo

  • 2000 – Início do projeto Sustentabilidade e Certificação na Mata Atlântica
  • 2003 – Lançamento dos Padrões de Certificação do FSC para Produtos Florestais Não-Madeireiros em Remanescentes da Mata Atlântica
  • 2003 – Certificação do primeiro produto não-madeireiro da Mata Atlântica, a erva-mate de Putinga (RS), com o selo FSC

A partir da convicção de que a exploração dos recursos vivos da Mata Atlântica deve ser feita de forma manejada, ou seja, que a retirada dos recursos florestais não pode exceder a capacidade de regeneração natural do ecossistema, entidades ambientais como a SOS Mata Atlântica uniram esforços para criar padrões de certificação florestal nesse bioma, garantindo para o consumidor a origem sustentável dos produtos.

Desde janeiro de 2001, quando o Forest Stewardship CouncilFSC Brasil implantou um grupo de trabalho para estabelecer padrões para a Mata Atlântica, várias iniciativas em nível local e nacional têm ocorrido para o uso do selo em produtos florestais não madeireiros da Mata Atlântica.

Além desses produtos serem parte expressiva da base da economia brasileira, podem ser uma chance de conservação dos últimos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Só a erva-mate, por exemplo, é cultivada em 160 mil propriedades no sul do país e sua produção gera cerca de 700 mil empregos (equivalente ao da indústria automobilística hoje). A piaçava também é responsável pelo emprego de grande número de pessoas e é considerada ótima para recuperar áreas degradadas.

Em março de 2003, foram lançados no país os Padrões de Certificação do FSC para Produtos Florestais Não Madeireiros em Remanescentes da Mata Atlântica. O documento, conhecido como Sustentabilidade e Certificação na Mata Atlântica, só pôde ser gerado a partir de um projeto pioneiro entre a SOS Mata Atlântica, IESB, Imaflora e Conselho Nacional da Reserva da Biosfera, com recursos do Funbio.

O projeto testou padrões de certificação para a cadeia produtiva de três espécies e seus produtos: piaçava em Ilhéus e região/BA, palmito juçara em Registro e região/SP e erva-mate em Ilópolis e região/RS, sempre procurando adaptar os padrões às peculiaridades regionais e dos pequenos produtores.

Todo esforço culminou com a certificação, também em março de 2003, do primeiro produtor de erva-mate, Eduardo Guadagnin, do município de Putinga/RS. Eduardo é proprietário de uma pequena agroindústria e segue critérios de produção que respeitam o meio ambiente. “Há 20 anos venho adquirindo terras e percebendo as vantagens de se cultivar na floresta, o que tenho passado também para os meus fornecedores. Dos mais de 40 hectares com que trabalho, 15 já estão a caminho da certificação”.


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