Viva a Mata

Código Florestal, Carta da Mata e Prêmio Muriqui

O Viva a Mata 2014 promoveu seminários em sua programação. Durante dois dias, representantes do governo, do setor privado e de entidades ambientais reuniram-se para a realização de seminários na Escola de Astrofísica do Parque Ibirapuera. Na sexta, foi feito um balanço dos dois anos do novo Código Florestal. A partir de análises e estudos colhidos em diversas partes do país, ficou evidente a carência de avanços na implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Fora da agenda de políticas públicas priorizadas pelos governos estaduais, o cadastramento raramente possui recursos humanos ou infraestrutura própria, como observou Gabriela Savian, coordenadora de projetos da Conservação Internacional.

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Uma consulta da WWF-Brasil em 8 estados alertou para a sobre o andamento do CAR, alerta para a falta de convênios que facilitem a ampliação do cadastramento. À tarde, uma roda de conversa com a presença de membros do Observatório do Código Florestal e representantes do setor privado discutiu a falta de sinergia para a implantação do novo Código, com a ausência de mecanismos econômicos sólidos que se tornem incentivos reais para as empresas buscarem apenas fornecedores legalizados.

No sábado, representantes dos governos federal, estadual e municipal, entre eles o Secretário Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Rubens Rizek, promoveram uma discussão e a troca de informações sobre ações recentes de proteção e restauração da Mata Atlântica. Mário Montovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, reforçou a importância de se aumentar a participação nos Conselhos Municipais, como forma de pressionar os governos para a implantação de projetos.

À tarde, foram apresentados exemplos de projetos de conservação para o cumprimento das Metas Nacionais de Biodiversidade em estados como o Rio Grande do Sul, o Espírito Santo e a Bahia – entre eles, a implantação de um corredor ecológico no Jalapão, uma parceria do governo baiano com o Tocantins. Os presentes apontaram a pertinência de se conhecer as realidades locais na tomada de decisão.

No âmbito dos Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, Fernanda Barbosa, do Ministério das Cidades, chamou a atenção para a realidade da administração municipal na elaboração dos planos diretores. “Quando se fala de planejamento territorial, necessariamente estamos falando de conservação de biomas e biodiversidade. É preciso integrar diferentes áreas para que exista uma política pública robusta”, afirmou.

carta bellô rma vivaamataNo sábado à noite, a Rede de ONGs da Mata Atlântica e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica apresentou a Carta da Mata Atlântica 2014, com 10 ações fundamentais para a reversão das degradações e proteção do bioma (confira a íntegra da carta). Destinada aos candidatos nas eleições de outubro, a carta aberta aborda questões como a necessidade de se resgatar mecanismos de proteção ambiental como o Fundo de Restauração da Mata Atlântica, os Planos Municipais de Conservação e Recuperação e o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama).

Após a apresentação da carta aberta, foram entregues os troféus da 21ª edição do Prêmio Muriqui da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. O prêmio individual foi dado ao engenheiro florestal alemão Armin Deitenbach, que há 28 anos se dedica a projetos de preservação e restauração da Mata Atlântica. A entidade homenageada neste ano foi a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE), que há 14 anos faz um trabalho de preservação de aves. Já o engenheiro agrônomo Guenji Yamazoe, presidente da Associação dos Bolsistas Jica (ABJICA), recebeu o prêmio em reconhecimento especial ao conjunto de suas ações ao longo da carreira.

 


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