Viva a Mata

Oficina “A água entre nós – ação cidadã por nossos rios”


A oficina A água entre nós – ação cidadã por nossos rios trouxe, por meio do depoimento de jovens ativistas, exemplos reais de como a sociedade pode contribuir para os rios da Mata Atlântica. Além disso, foi realizada uma saída de campo para visualização dos rios soterrados do Centro de São Paulo. Não foi preciso andar muito para encontrar um bem famoso, o Itororó, localizado na região da Praça das Bandeiras e eternizado pela música Eu fui no Itororó.

Luiz Campos Jr., fundador da Iniciativa Rios e Ruasapresentou o seu trabalho de reconhecimento das principais bacias hidrográficas da cidade. “Em são Paulo, nós nunca estamos a mais de 200 metros de um rio”, contextualizou Campos. Ele explica que alguns rios passam por baixo de grandes avenidas e critica o soterramento de outros para amenizar o mau cheiro. “A cidade enterra rios como o Saracura, que nasce próximo à Avenida Paulista, e o Pacaembu, na região central, porque acha que eles são os responsáveis pela sujeira e pela doença. A verdade é que o problema é a falta de saneamento básico”, disse.

Em uma atividade que envolveu criatividade e expressão, a artista visual Nina Cast convidou os participantes a refletir a respeito da água, lembrando que mais de 70% do corpo humano é formado por ela. “Para embasar esse momento, trouxemos um pouco da filosofia Tupi-Guarani, que está intimamente ligada à água por meio da espiritualidade”, explicou. Em um segundo momento, os participantes puderam escrever e expressar em desenhos os anseios de seus rios interiores, no formato de uma “gota do desejo”.

Ainda relacionando a arte ao movimento de preservação da água, Mauro Neri e Mariana Belmont apresentaram o Projeto Imargem, uma intervenção multidisciplinar que, reunindo arte, meio ambiente e convivência, pretende enfrentar o isolamento das comunidades que vivem às margens da Represa Billings, região do Grajaú, São Paulo. “A água é um espelho que nos permite ver não apenas um reflexo na natureza, mas também de nós mesmos. Precisamos acessar a cidade e as pessoas para reforçar a importância da preservação”, reflete Neri, que também é responsável pelas exposições de arte promovidas pelo projeto Cartograffiti.

Encerrando as discussões do dia, Carol Ferrés apresentou o Projeto Cidade Azul, que cria áudio-guias, intervenções artísticas e vídeos que contam a história e a conexão entre os rios, as pessoas e as cidades. “O Cidade Azul vem para revelar o que está enterrado”, disse. A ativista reforçou, também, a importância do uso dos games para engajar crianças e jovens na continuidade do trabalho de preservação dos recursos hídricos.  “Usamos a tecnologia para revelar a história dos rios e transmitir a mensagem de que o rio não é um esgoto. É preciso mudar esse conceito”, disse Ferrés.

Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, encerrou o evento reforçando as mensagens transmitidas pelos jovens painelistas do dia e convidando a todos para uma vida mais ativa na preservação da Mata Atlântica. “Há 30 anos, estamos juntos em defesa da Mata Atlântica, que é a nossa casa. Apesar do conturbado momento político e econômico que vivemos, sabemos que podemos fazer a diferença”, finalizou Marcia.


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